quarta-feira, janeiro 27, 2010

Cap XXIII - Cartas sem remetente

Senti aqueles olhos verdes subirem dos pés a minha cabeça sem a menor preocupação em disfarçar, dona Conceição permanecia de cabeça baixa aparentemente envergonhada com os gritos que chamara minha atenção, porém Lorena não dava a menor atenção ao estado em que deixara aquela senhora:
- Querida Luiza, pode ir dormir não se preocupe. - dona Conceição segurou levemente em minhas mãos e me conduziu até dentro do quarto, a ruiva ficou parada me encarando.

Depois disso não escutei mais gritos, apenas um passo que provavelmente seria da dona Conceição descendo para fazer o chá que a Lorena ordenara.
Deitei na cama e passei a analisar o teto em cor bege com um lustre altamente bem trabalhado, a minha direita estava a sacada do quarto onde dava para ver o jardim e a rua, a festa ainda estava rolando na casa em frente alguns risos altos e vozes alteradas:
- Esse mundo é mesmo pequeno... - a voz da Lorena tomou conta do meu quarto, ela fechou cuidadosamente a porta e deu passos curtos em direção a minha cama.
- O que você quer aqui? - eu perguntei, levantando-me em defesa.
- Só conversar minha querida, nada mais. - a sua voz estava fria e assustadora.
- Fale. - respondi, fixa no lugar onde estava próximo a sacada.
- Eu escutei boatos na mansão que uma neta da dona Maria viria morar aqui, mas nunca imaginei que fosse você. - ela percorreu-me os olhos com desdém e eu permaneci quieta. - Eu sei Luiza, sei de tudo sobre o Fábio.
Enruguei a testa em dúvida e espanto, como ela sabendo tudo que o noivo fizera mesmo assim aceitaria tal condição:
- Como assim? - quis confirmar.
- Embora você tenha a cara de idiota, eu sei muito bem que você não é. - após uma pausa ela continuou - Depois que voltou do Rio o Gabriel só falava na carioquinha que ele tinha conhecido lá, acho que ele não teve tempo de te falar sobre a Júlia, já que estava tão fascinado com você acabou se esquecendo da minha pobre prima e namorada dele. - não sei explicar com precisão o que eu sentira com aquela revelação, mas eu me incomedei muito mais que o imaginado ao saber que o Gabriel namorava e não me contou, como ele pode mentir para mim? Eu deveria ter percebido que ele, como irmão do Fábio só poderia ser igual ou até mesmo pior.
- Você só entrou aqui para me desacatar?
Ela riu-se ironicamente e respondeu:
- Desacatar? Não, eu estou apenas conversando.
Tomei coragem e dei um passo em sua direção, mas ainda continuava muito distante dela:
- Qual o seu vinculo com a minha vó?
- Sou enteada do Ramón, seu titio, eu presumo, minha mãe se casou com ele a uns dois anos e adivinha quem vai ser a madrinha do meu casamento com o Fábio?! - ela perguntou demonstrando uma empolgação sombria e perante meu silêncio respondeu. - A sua vovó.
Engoli seco, fechei e abri os olhos seguidas vezes. Aquilo mais parecia um sonho, aliás um verdadeiro pesadelo, fiquei imaginando quando é que eu havia saído da realidade e sido transportada para um universo paralelo completamente assustador:
- Agora é sério! - ela levantou-se da cadeira e deu dois passos em minha direção por um segundo pensei que fosse me agredir. - Esse é o meu mundo, minha vida, minhas regras... Se você atrapalhar qualquer coisa eu juro que passo por cima de você, entendeu?
Não respondi, simplesmente não disse que "sim" nem que "não" eu só queria que ela fosse embora do meu quarto e de preferência que evaporasse do globo terrestre, fiquei observando-a sair do meu quarto com passos firmes, seu cabelo ruivo e liso balançava de um lado para o outro, sua pele clara reluzia com a luz da lua que invadia o quarto ela estava assustadoramente decidida a me prejudicar caso eu o fizesse primeiro.
Apesar de ser ameaçada de morte ou algo do tipo eu não estava com medo, tomei banho, pus a camisola "Good Dreams" e coloquei as roupas no closet, não me surpreendi quando percebi que elas tinham ocupado apenas metade de uma das prateleiras do closet, pus meus 4 "all stras", o chinelo. Menos da metade da parte direita do closet havia sido ocupado, sorri ao perceber que aquele quarto de roupas era do tamanho da minha sala.

- O que eu tô fazendo aqui? - perguntei-me enquanto eu encarava mais uma vez o teto.
Acabei adormecendo depois de um tempo, provavelmente devo ter dormido menos de duas horas tive alguns pesadelos e acordei diversas vezes no meio da noite, despertei de vez quando o relógio apitou às oito e meia, levantei, calcei minhas pantufas, molhei o rosto e escovei os dentes fui até a sacada do quarto e avistei pessoas caminhando e passeando com seus respectivos cachorros, não fiquei muito tempo ali e desci as escadas na procura do cômodo onde eu pudesse tomar o café da manhã, o jardineiro cuidava das flores rosas e vermelhas, uma das empregadas arrumava a sala de estar que tinha uma televisão de plasma quase do mesmo tamanho da parede, poucos móveis.

Escutei talheres e vozes vindo de um cômodo próximo, segui meus ouvidos e congelei quando deparei com dezenas de pessoas sentadas numa mesa enorme de café da manhã, todas muito bem vestidas, homens e mulheres que se calaram em perfeita consonância quando viram uma menina de camisola e pantufas adentrar a sala de jantar, permaneci estática com o susto só ouvi o leve riso debochado de Lorena que estava sentada em uma das cadeiras da mesa para vinte pessoas:
- Luiza...? - a senhora da ponta levantou-se, muito bonita, de olhos claros e cabelos grisalhos deduzi que fosse a minha avó, mas certeza não tinha.
- Desculpa... - eu disse dando um passo para trás antes de sair correndo para o meu quarto, mal tive coragem de encarar as pessoas que ali se encontravam.
Cruzei a sala de estar, a sala de vídeo, a sala de visitas, o hall e corri em direção a meu quarto sem diminuir a velocidade dos meus passos só fui parar quando me joguei na cama do meu quarto, as lágrimas insistiam em correr por meus olhos eu só queria sumir daquele lugar, esquecer de tudo:
- Posso entrar? - uma voz feminina me desligou de meus pensamentos.
- Pode. - respondi à senhora que ali estava sentando-me na cama enquanto enxugava os olhos.
- Nossa como você cresceu... Não te reconheceria se nos esbarrássemos na rua, ta com quantos anos Luiza? Dezessete? - era a mesma senhora de cabelos grisalhos e olhos claros que chamara meu nome a minutos atrás na sala de jantar.
- Aham... - balancei a cabeça afirmando.
- Humn... Se parece muito com sua mãe... - eu dei um leve sorriso e ela continuou: - Chamou a atenção daquelas pessoas lá debaixo.
- Percebi. - eu respondi, sorrindo.
- Arrume-se e desça, quero te apresentar a eles. - minha avó disse, pouco antes de dar as costas e abrir a porta do quarto:
- Mas vó, eu não quero descer e encarar aquelas pessoas! Estou morrendo de vergonha.
- Pelo amor de Deus, não se acovarde no seu primeiro tropeço. Seja diferente de seu pai. - ela finalizou com a voz ríspida e firme.
Pus a roupa mais social que eu poderia ter e desci depois de me observar no espelho e tomar coragem para encarar novamente aquelas pessoas.
Uma das empregadas servia bebidas coloridas na sala de visitas, uma música ambiente de fundo e conversas paralelas dava espírito ao lugar. Adentrei a sala um pouco envergonhada, principalmente quando todos se calaram ao me ver aquilo era totalmente constrangedor:
- Essa aqui é Maria Luiza, minha única neta! - minha avó anunciou.
- Oi! - eu disse, sorrindo amarelo para aquela multidão que me encarava. Percebi que a Lorena conversava com uma menina apontando disfarçadamente para mim e rindo.
A maior parte das pessoas veio me dar boas-vindas, me abraçaram e em momento nenhum tocaram no assunto que ocorrera a poucos minutos atrás, quando senti que as atenções se dispersaram um pouco peguei um dos copos de bebida colorida que a empregada servia e caminhei até próximo da janela da sala eu só queria que aquelas horas passasem o mais rápido possível, mas a relatividade do tempo não ajudaria muito afinal tudo que é bom passa rápido demais e tudo que é ruim ao contrário:
Não esperei todos os convidados irem embora, subi para o meu quarto quando a maioria já não estava mais ali, cheguei perto da sacada do meu quarto encostei os cotovelos no murinho com metade da minha altura e dali pude analisar a montanha a poucos quilômetros.
Minha avó entrou pouco tempo depois acompanhada da ruiva irritante, as duas pareciam se dar muito bem:
- Maria Luiza, aconteceram tantas coisas nessa manhã que eu me esqueci de lhe apresentar a minha quase neta Lorena! - ela anunciou aparentemente satisfeita, mas mantendo seu ar frio e desprovido de sentimentos.
- Será que posso te chamar de Luiza? - a ruiva fingiu que não me conhecia.
- Não. - respondi, ignorando seu sorriso falso.
- Luiza, seja mais educada! Lorena é enteada do seu tio Ramón, aliás ele esta muito ansioso para lhe ver, ele e a esposa Madalena estão numa viagem e voltam na sexta bem no dia da sua festa de boas-vindas.
- Festa? Pera aí vó, eu não quero festas!- eu interrompi qualquer outra coisa que ela pudesse falar.
- Como não Luiza, já esta tudo pronto. Não faça desfeitas, a sociedade quer te conhecer.
- É Lu, não faça desfeitas. - a Lorena repetiu irritando meus ouvidos com o total cinismo.
- Bom eu vou ter que ir, tome fique com isto. - minha vó passou os olhos pelo relógio de pulso e antes de sair do meu quarto me entregou um pequeno cartão de crédito dourado com seu nome no verso.
Percebi os olhos arregalados e admirados da ruiva que não imaginava que a minha avó faria aquilo, para ser bem sincera nem eu mesma imaginava que ganharia um cartão de crédito assim de uma forma tão fácil.
- É para suas necessidades, se precisar de mais alguma coisa ligue para mim. Pedi para o senhor Davi ficar disponível o resto do dia para você. - minha avó finalizou saindo às pressas do meu quarto ela aparentemente estava atrasada.
- Vai fazer a festa hoje heim?! - a Lorena comentou com o tom sarcástico irritante que sempre estava presente em seus comentários.
- E você esta morrendo de inveja. - respondi.

Ela calou-se e antes que pudesse me dizer algo eu a atropelei com palavras:
- Desculpa não tenho tempo para você. - então abri a porta do meu quarto esperando que ela saísse e quando ela o fez eu fui logo atrás.
O cheiro do perfume dela penetrou por todo o ambiente, enquanto eu descia as escadas atentei à quantidade de empregados que ali trabalhavam, o senhor Davi conversava com a dona Conceição na cozinha enquanto um cheiro bom de algo que fervia no fogão despertava a curiosidade do meu paladar:
- Bom dia senhorita Luiza! - o Davi sorriu.
- Bom dia. - respondi puxando uma cadeira para sentar na bancada que ficava no meio da cozinha.
Os dois calaram-se ao me analisar, algo no que eu fizera chamou a atenção deles:
- Vocês também estão pensando no mico que eu paguei? - perguntei, pondo os cotovelos na bancada e segurando o rosto com as duas mãos.
- A sua prima não senta conosco. - o Davi respondeu expressando o que provavelmente fosse o motivo que os fizera me encarar.
- Ela não é minha prima e ela é uma idiota. - retruquei, embolando as palavras numa fala confusa. - Preciso comprar uma roupa e não faço a mínima idéia do que usar para ir à minha festa de boas-vindas. - continuei sem antes notar o sorriso esboçado pelos dois devido ao meu primeiro comentário sobre a Lorena.
- Acho que conheço alguém que pode te ajudar. - a cozinheira respondeu depois de um tempo de silêncio.
- É? - perguntei sem muito interesse.
- Os amigos da sua avó não estão pondo muita fé na senhorita. - o Davi anunciou, em voz baixa como quem conta um segredo.
- Conte-me uma novidade Davi, essa vida é totalmente o inverso do que era a minha vida. - eu disse, no tom triste que eu forçava em disfarçar.
- Humn... Isso tem cara de romance... - a dona Conceição constatou fazendo uma voz doce.
Abaixei os olhos na direção do piso branco e pisquei algumas vezes para secá-los que insistiam em manterem-se úmidos.
- Falei alguma coisa que não deveria? - a dona Conceição baixou a cabeça na direção do meu rosto e perguntou.
- Não, não... E então quem é a pessoa?
- Minha neta, ela faz moda. Se quiser ligo para ela.
- Liga sim.
Dona Conceição foi rápida, parecia bastante animada com o fato de apresentar sua neta à mim, porém eu não estava muito entusiasmada com esse fato aliás nada me entusiasmava muito, às três da tarde o senhor Davi me levou até o shopping da cidade, um lugar de pessoas muitíssimo bem vestidas em nada se assemelhava ao shopping que tinha perto da minha casa, onde as pessoas, inclusive eu, iam de chinelo e camiseta. Me senti um estranho no ninho quando adentrei aquele lugar trajando uma calça larga estilo saruel, chinelo e camiseta.
Avistei uma menina de cabelos chanel loiros, olhos verdes, usando um vestido cinza que valorizava suas curvas combinado perfeitamente com uma meia-calça preta e sapatinhos sem salto, fiquei abservando-a enquanto me aproximava tentando imaginar se era ela ou não a neta da dona Conceição, a sua aparência denotava traços de quem de fato conhecia sobre moda. Ela estava distraída observando uma calça pela vitrine de uma loja de marcas caras, ela me sorriu quando me aproximei mais um pouco e então pude reparar num piercing que ela tinha no canto do nariz e uma tatuagem no pulso escrito Carpe Diem em letras desenhadas:
- Maria Luiza eu sou a Nanda. - ela me estendeu a mão direita num sorriso enorme.
- Oi. - respondi, apertando sua mão, ela me analisou logo em seguida e após erguer a cabeça me disse:
- Gostei da sua roupa, você parece ser uma pessoa de personalidade.
Franzi os lábios e suspendi calmamente a sobrancelha direita e logo em seguida respondi num tom incerto:
- É... Nunca pensei o que eu transmitia através de uma roupa.
- Ah, mas isso é muito importante!- ela então enroscou seu braço no meu e me puxou para andar por aquele santuário do consumismo desmedido.
- É uma festa social, vai estar repleta de gente que procurará milhões de defeitos em você. Temos que encontrar algo que valorize seu corpo, mas sem atropelar essa sua personalidade forte.
- É... - respondi sem saber o que eu podia acrescentar.
- Mas relaxa, vamos escolher algo que você irá gostar! - ela sorriu como quem tinha certeza do que falava.
Depois de horas andando por aquele lugar cheio de roupas dos mais diferenciados estilos ela me puxou para mais próximo de uma vitrine de uma loja de vestidos:
- Acho que você ficaria bem nesse aqui. - ela apontou para um preto, tomara-que-caia, pouco acima dos joelhos.
- Vai ficar apertado de mais. - eu respondi sem a mínima animação.
- Ilusão sua, vai marcar sua cintura e ficar solto nos quadris, perfeito! Pelo menos experimenta. - ela pediu e assim entramos, uma simpática vendedora aproximou-se de nós duas e com um sorriso enorme ofereceu ajuda:
- Bom queria ver aquele vestido preto ali. - Nanda apontou para a peça de roupa ao qual se referia e me dirigiu até os provadores.
- Acho que ela vai ficar bem com o vestido. - escutei a vendedora conversar com a Nanda enquanto eu me enfiava dentro daqueles panos bem costurados.
- Eu também, o corpo dela é bem legal parece ficar bem em qualquer tipo de roupa. - a neta da dona Conceição completou.
Me encarei no espelho após estar vestida, a minha cintura estava totalmente marcada realçando as curvas que eu tinha e embaixo o vestido ficou soltinho me deixando confortável:
- E então o que acharam? - perguntei, arrastando as cortinas do provador para o canto:
- Está perfeito! - os brilhos nos olhos da Nanda denunciavam a total sinceridade do que ela falava.
- Você ta linda! - a vendedora completou.
Esbocei um sorriso entre os lábios e prendi os cabelos num coque desajeitado:
- Podemos levar... - disse olhando para a Nanda, uma fala que não fora nem uma pergunta e nem uma afirmação.
- Claro que sim! Agora teremos que comprar os sapatos e um cordãozinho bem simples.
Passamos a tarde toda no shopping e no final fomos lanchar na praça de alimentações, já passavam das seis eu já tinha liberado o senhor Davi para fazer o que quisesse a Nanda tinha dito que me levaria para casa depois dali:
- Você é diferente Luiza. - a Nanda me disse me analisando de uma forma bastante séria.
- Deve ser o sotaque. - respondi, tentando não entrar no assunto ao qual aquele comentário pudesse nos levar.
- Não, não é isso... - ela respondeu quase que instantaneamente parecia estar perdida em pensamentos.
- A Nanda esqueça isso, estamos nos divertindo tanto!- forcei um sorriso.
- Não Luiza você não esta, andamos o shopping todo compramos uma porção de coisas, sua avó te deu um cartão de crédito que é o sonho de qualquer pessoa da sua idade e você não esboçou um sorriso sincero. Porque você esta aqui nessa cidade? Dá para perceber que não é por vontade própria.
- Nanda, não quero falar sobre isso. - eu respondi num tom de voz pesado, ela estava entrando num assunto bastante delicado e a idéia de contar a uma completa estranha os motivos que me fizeram estar naquele lugar no atual momento não me agradava.
- Sabia, anda Luiza me conta! O que aconteceu com você? Homens? - ela foi bem direta.
- Homens? - eu ri ao repetir o que ela dissera. - Não tenho muitas experiências com o sexo oposto.
Ela riu-se com o que eu disse e depois respondeu:
- Então é um homem? Anda Luiza fala logo! - a Nanda me apressou sorrindo.
- Ta Dani eu falo... - revirei os olhos para cima diante de tanta insistência e mal percebi o nome que acabara de dizer.
- Dani? - ela estranhou.
- Não, deixa... Eu vou te contar... - comecei dando introdução a todo o assunto a cerca dos motivos que me fizeram estar ali.
Provavelmente levei mais de uma hora contando tudo sobre o Vitor e a Dani, a Nanda me observava com os olhos analisando friamente toda a situação que eu descrevia como uma psicóloga, sequei os olhos algumas vezes toda a vez que a imagem do meu pai no dia do fragrante vinha à minha cabeça. Era tão bom e tão ruim falar do Vitor que por vezes me peguei sorrindo ao me lembrar dele, a Nanda segurou minha mão certa hora quando pareceu que eu não iria agüentar manter-me firme e continuar a confidencia no final ela não acrescentou nada, não demonstrou em momento nenhum pena de mim o que era muito bom, pois eu detesto que sintam pena de mim nunca fiz nada humilhante que merecesse compaixão dessa forma.
A Nanda me deixou em frente a casa da minha avó, eu adentrei os portões de ferro logo após pedir pelo interfone que abrissem aquelas exageradas grades que tinham um design no mínimo curioso.
O sol já se escondia por de trás da montanha que fica próximo a rua de casas mais bonitas daquela pequena cidade, conforme a noite se aproximava o frio acompanhava o céu estrelado de tom azul escuro joguei minhas compras dentro do closet distribuindo em alguns cabides, pus uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta acompanhada do casaco de moletom da mesma cor da calça, fui para a frente do computador vasculhar um pouco minha vida digital, visitei o site de relacionamentos ao qual eu tinha um perfil e dei uma conferida nos recados, quase ninguém sabia que eu estava morando no Sul, aproveitei para matar a saudade do meu Vitor e deixei um recado no perfil dele, me surpreendi com a quantidade de recados femininos que se insinuavam para ele na sua página:

-

Aline: Oi amor, tô sabendo que a Lu não esta mais aqui na cidade. Se quiser podemos conversar sobre isso.

Fê: Vitor, tudo bom? Faz tempo que não nos vemos, vamos marcar de sair essa semana.

-

Senti a raiva esquentar meu corpo, a sensação era de que eu poderia perder o meu Vitor a qualquer momento, e eu já tinha plena consciência de que mais cedo ou mais tarde ele acabaria caindo nas tentações da carne afinal: Ele é homem, é lindo e dezenas de meninas muitíssimo mais bonitas que eu o procuravam. Não que eu seja uma pessoa insegura, mas sem dúvidas sou realista.
Mal quis saber se ele respondera ou não aos recados libidinosos daquelas meninas, fui para o meu e-mail na esperança de encontrar algum vestígio por menor que fosse da Dani, mas não havia nada além de e-mails de propaganda, desliguei o notebook e desci as escadas tentando me entreter com algo que pudesse desviar dos meus pensamentos o imagem do Vitor beijando outra garota. Cruzei a direita no hall onde uma biblioteca cheia de livros interessantes dava um ar mais intelectual à casa, ali perto tinha uma porta de madeira fechada que era o escritório onde minha avó se reunia com os seus editores, bati algumas vezes antes de abrir não havia ninguém ali e então eu adentrei aquele lugar de móveis rústicos, com algumas reportagens espalhadas por quadros verdes num mural, tinha fotos da minha avó com pessoas famosas, no computador um registro dela e de meu falecido avô enfeitava a área de trabalho como papel de parede, sentei na acolchoada cadeira por de trás da mesa onde minha avó provavelmente sentava para digitar suas matérias do jornal, percebi num canto um amontoado de cartas organizadas uma em cima da outra, puxei devagar aqueles papéis coloridos e abri o primeiro, pouco depois de analisar o envelope datado de 1960:

-

15 de junho de 1960

Olá amor, muitas coisas foram ditas desde o nosso último encontro e eu sinto que ainda me sobrou uma pequena porção de palavras muito mais importantes e necessárias do que as que eu disse.
Acho que não preciso explicar o quanto você é importante na minha vida e nem muito menos o que você significa para mim, afinal você me conhece muito bem e sabe perfeitamente que não gosto em insistir em coisas óbvias e muito, além disso, nunca necessitamos de formalidades para sabermos o que sentimos um pelo outro...

-

- O que você esta fazendo aqui? - minha avó me interrompeu parecendo muito irritada ao me ver mexendo em suas coisas particulares.

7 comentários:

  1. ai qe ódioo. essa Lorena num tem o qe fazer da vida naum ???

    A Nanda vai ser nova Best dela ???

    hm...

    posta mais
    PF

    ps.; vó dela é chata neah ??





    continuaaaaaa

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  2. Qual o nome da vó dela msm ? é maria luiza tb ?

    lorena irritantemente chata ela num tem vida naum é !?!


    cooooooooontinuaaaaaaaa!!!

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  3. Continuaaaa por favor:)

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  4. eu preciso ler mais !!!

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