quinta-feira, janeiro 21, 2010

Cap XVI - Resistência (Parte IV)


Último dia


Depois de noites em claro, dessa vez todo o sono que meus pensamentos impediram de se aproximar vieram com toda força e eu pude dormir muito bem durante a noite. Contei para a Dani que eu e o Vitor voltamos, ela pareceu ficar feliz, mas estava meio estranha, não sei explicar, mas os olhos dela estavam tristes. Pensei que fosse loucura da minha cabeça. Acordei com a musiquinha do celular da Dani indicando que havia uma nova mensagem, a minha amiga não estava mais no quarto, escutei a voz dela vindo da minha cozinha, eu estava com muita preguiça de gritar pelo nome dela e resolvi ignorar aquela música irritante, mas aquele toque parecia que não iria acabar e estava me impedindo de voltar a dormir! Minha mão direita foi tateando o criado mudo em direção ao bendito celular, meus olhos estavam entre abertos e antes que meu dedo polegar apertasse o botão para desligar o nome Fábio piscando no display daquele aparelhinho digital chamou minha atenção
"- Logo agora que ela decidiu esquecer esse garoto ele resolveu aparecer." - pensei enquanto a mensagem era aberta, não que eu seja uma pessoa fofoqueira, mas devo admitir que a curiosidade falou mais alto nessa hora.

" Não me interessa"

ass: Fábio



Como assim não me interessa? O que a Dani poderia ter dito que o fizesse dar uma resposta assim? Me ajeitei na cama, meus olhos já estavam mais abertos e eu fui na pasta de mensagens dela, tinha que saber o que estava acontecendo com a minha amiga, aquele rapaz já tinha causado muitos problemas pra ela e eu era uma das poucas pessoas que sabia de toda a história:


" Ando sentindo umas dores, preciso de você"
ass: Dani


Fui direto na primeira mensagem dela para ele e depois averiguei a resposta dele:


" E daí? Não sou médico"

ass: Fábio

Como alguém poderia ser tão ruim quanto o Fabinho, até um tempo atrás ele dizia que a amava e agora isso? Como pode?! E que dores eram essas? Será que era essa a razão da Dani estar indo direto ao médico e a tia Sílvia, será que sabia? As vozes continuavam vindo da cozinha, sinal de que ela ainda estava longe e eu poderia continuar lendo as mensagens:


" O filho também é seu! Achei que devesse saber"

ass: Dani

-
" Mas não Daniele, eu não quero saber. Ok?

ass: Fábio

-
" Tô com medo de perder o bebê."

ass: Dani

-
" Mas é exatamente o que eu quero que aconteça!"

ass Fábio

-
" Os médicos disseram que está tudo bem com a criança, mas eu sinto que não está."

ass: Dani
-

"Não me interessa"

ass Fábio

-

Fiquei chocada, meu Deus! Como a Dani podia estar querendo acobertar alguém como ele? A minha repulsa por ele que havia se esvaído, em parte, devido a minha primeira conversa que tive com o Fábio voltou com toda a força e dessa vez bem pior. Eu pus o celular no mesmo lugar, calcei minhas pantufas, peguei as chaves e desci. Meu corpo pareceu agir por vontade própria, a preguiça já havia ido totalmente embora, passei pela sala para que a Dani e a madrinha não me vissem, cruzei o portão como um foguete, uns poucos moradores estavam nas suas calçadas, ainda era cedo, mas aqueles poucos ficaram me observando sair de casa como uma louca de pantufas de elefante, camisola com as palavras " Good dreams" estampadas.

Toquei a campainha da casa do Fábio até ser atendida, um rapaz de olhos mel trajando apenas uma sambacanção apareceu com a chave do portão, pareceu ficar assustado com a louca de camisola que tocava a campainha dele enraivecidamente às sete e meia da manhã, ele caminhou até as grades que separavam a rua do quintal e antes que me dirigisse a palavra eu comecei:
- Cadê o Fábio?! - perguntei quase que gritando, alguns vizinhos ouviram.
- Quem é você? - ele me perguntou, eu nunca o tinha visto antes, mas isso não me fazia a mínima diferença naquele momento.
- Abre esse portão! Agora! - continuei descontando nele toda a ira que eu sentia.
- Eu não, você pode estar armada! - o rapaz brincou, sorrindo.
Não achei graça e tomei aquela brincadeirinha como um deboche mal educado e totalmente dispensável:
- Eu pareço estar de bom humor? Pareço? Agora abre essa porcaria antes que eu comece a gritar! Preciso conversar com o Fábio.
- Olha se você for alguma ex-namorada dele, vai ficar chateada. É que ele esta acompanhado... Não sei se você me entende. - o rapaz me disse meio encabulado e receoso de me magoar.
- Eu não sou ex-namorada dele! Agora abre esse portão! Se não eu chamo a polícia!
O rapaz riu, parecia que estava se divertindo com o meu mal humor e depois ironizou:
- Você vai chamar a polícia porque eu não quero abrir o portão da casa do meu irmão para uma louca desvairada de camisola que esta gritando às sete da manhã? Eles vão te prender.
- Ah você é irmão dele? Ótimo! Precisamos fazer uma reunião familiar!
O rapaz abriu o portão e eu entrei em disparada fui pulando de dois em dois degraus o irmão do Fábio veio atrás, pedindo para que eu esperasse, mas eu continuei só fui parar quando ele me alcançou e segurou firmemente em meu pulso me impedindo de prosseguir:
- Me solta agora! Onde esta seu irmão?! - perguntei, àquele momento já estavámos na sala.
- Olha se acalma, eu só abri o portão pra você porque estava todo mundo olhando, mas se você não ficar mais tranquila eu juro que te carrego até fora!- ele pareceu ficar mais sério e aparentemente irritado com a minha conduta impensada.

Involuntariamente meu nível de adrenalina baixou e minha voz diminuiu voltando para o tom normal. Foi a primeira vez que percebi os trajes em que estava, mas continuei não me importando, pude reparar em umas roupas jogadas pela sala, no sofá, na mesinha de centro, deduzi que quando aquele rapaz disse que o Fábio estava acompanhado quis dizer que ele estava dormindo acompanhado.
- Muito bem, agora me diz quem é você e o que quer com o Fábio. - ele me perguntou soltando meu pulso.
Foi aí que percebi seus olhos mel, a boca rosada, o corpo bem definido, supus que provavelmente devesse ser mais novo:
- Meu nome é Maria Luiza, preciso falar com seu irmão sobre a minha amiga e acho bom que você como parente dele saiba também. - respondi.
- Meu nome é Gabriel, olha só vamos pra cozinha eu faço um café para a gente e depois acordo o meu irmão. Ok?
É óbvio que não estava nada ok! Ou aquele rapaz era mais cafajeste que o irmão ou completamente doido, eu não queria tomar café, nem muito menos ficar batendo papo até o irmãozinho resolver acordar, o que eu queria de verdade é gritar com o Fábio, chingar todas as gerações passadas dele e por fim pichar no muro dele “Cafajeste e safado”.
- Vai chamar o seu irmão eu espero aqui. Não quero nada além disso ok? - fui sarcástica e sentei-me no sofá, pegando com a ponta do dedo uma calça djeans masculina que repousava sobre a poltrona e jogando no chão.
Senti quando os olhos do Gabriel percorreram-me antes que ele saísse para chamar o irmão, fiquei analisando ao redor.
Afinal porque o Fábio não queria assumir a criança se ele já era um homem feito? Não teria problema com dinheiro, nem com a aceitação da família dele nem com nada, então qual seria o grande problema?
Enquanto pensava mil e uma razões que explicasse ele não querer assumir a criança o Fábio e o Gabriel adentraram a sala:
- Ah não você de novo! - o Fábio reclamou revirando os olhos para cima, aquilo me irritou.
- Se você tivesse agido como um homem naquela vez que eu vim conversar com você não estaria aqui de novo. - respondi.
O Gabriel sentou-se numa cadeira que ficava próxima do telefone e ficou assistindo minha conversa com o seu irmão:
- Olha só Luiza, vamos conversar isso outra hora ta bom? Agora não dá.
- Não dá porque? Porque seu irmãozinho ta aqui e você não quer que ele saiba o tipo de ser canalha e sem coração você é? Não quer que ele saiba que você engravidou uma garota de 17 anos e não quer saber dela? - eu disse tudo mesmo, não aguentava mais ficar acobertando o Fábio.
- Você o que? - o Gabriel pareceu não acreditar no que eu tinha acabado de falar, pelo que deu a entender deve ter levado um grande susto.
- Fica quieta e conversamos depois. - o Fábio disse.
- Conversam depois nada, anda Fábio, fala se isso é verdade ou não. - o Gabriel se intrometeu.
- É verdade, mais ou menos... - o Fábio admitiu meio encabulado.
- Você engravidou ou não engravidou a garota? - ele corrigiu o irmão num tom ríspido.
-Engravidei!
- Não acredito! Você é maluco? Esqueceu da Lorena? - o Gabriel explodiu muito irritado com o irmão.
- Lorena? Quem é Lorena? - afinal quem deveria ser essa tal Lorena?
- Minha noiva, vamos nos casar final do mês que vem...
- E essa garota que ta ai no seu quarto é...
- É ela mesma, ela mora no Sul. Veio me visitar. Luiza entenda uma coisa eu não posso assumir esse filho que a Dani esta esperando, se eu fizer isso acabo com meu casamento.
- E você acha que a tal garota que você engravidou tem que se virar sozinha? - Gabriel repreendeu.
- E vocês acham que a Daniele não sabia? Luiza sua amiga não é santinha não, aliás muito pelo contrário... - ele fez uma pausa e após um sorriso malicioso prosseguiu – ela nem se importava quando estávamos juntos. Deu para entender ou quer que eu explique?
Me ofendi, como se o que ele tivesse acabado de dizer fosse de mim. Levantei em direção à porta de saída e antes de dar as costas ameacei:
- Se não tomar uma atitude, todos dessa rua vão saber que você engravidou a Dani e as mensagens que você manda para ela.
O Fábio pareceu se assustar com o que eu dissera, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa continuei minha caminhada até o portão, quem me seguiu foi o Gabriel, àquela hora mais moradores estavam em seus potões e senti quando os olhos da maioria recaíram sobre mim de camisola e ele de samba-canção.
Foi meio constrangedor, mas permaneci indiferente, estava mais preocupada com a minha amiga:
- Luiza, calma aí! - o Gabriel deu uma corrida para me acompanhar.
- Fala. - eu disse.
- Desculpa o meu irmão.
- Ele não me deve desculpas nenhuma, ele deve desculpas à minha amiga. - respondi antes de dar às costas e voltar para casa.

A Dani sempre agiu mais pelo coração do que pela razão. O que a torna uma grande amiga, ela não consegue fingir algo que não sente então eu sempre sei quando ela esta realmente feliz ou triste... O que o Fábio disse sobre ela me atingiu, ela gostava dele de verdade o que a fazia fazer qualquer coisa para estar com ele, por isso ela deve ter aceito a condição de noivo e por esse mesmo motivo guardado isso de mim. A verdade é que se eu soubesse não a permitiria fazer metade do que ela fez por ele.
Fui pensando nisso até chegar em casa, a tia Sílvia foi quem levou um susto quando me viu entrar na sala de camisola:
- Não me diga que estava na rua vestida dessa maneira?!
- Não digo... Cadê a Dani preciso falar com ela? - perguntei.
- Ta no seu quarto arrumando as coisas pra voltar pra casa. - a tia Sílvia respondeu voltando seus olhos novamente para alguma reportagem desimportante na coluna de fofocas do jornal.

A Dani estava sentada na minha cama, a mochila jogada no chão com tudo arrumado, ela lia a mensagem no celular, quando eu entrei percebi que ela tentou enxugar os olhos para que eu não percebesse que ela estava chorando. Tarde de mais, eu já tinha notado:
- E aí amiga? Tava aonde? - ela me perguntou forçando o sorriso mais falso que eu já vi.
- Conversando.
- Conversando com quem? De camisola?
Respirei fundo e antes de fechar a porta me certifiquei que a tia Sílvia não estaria por ali:
- Daniele, isso tem que acabar... - eu comecei sentando-me ao lado dela.
- Isso o que Lu? - ela pareceu não entender, eu tentei explicar melhor.
- Você e o Fábio, fui conversar com ele hoje. Sabia que a noiva dela esta aí? O irmão também, se chama Gabriel.... Daniele quando é que você vai parar de proteger esse canalha? Pelo o que eu percebi nem o irmão dele sabia da sua gravidez... E essas dores que você anda sentindo, a tia Sílvia sabe? E as mensagens do Fábio? Por tudo que há de mais sagrado você não tem um pouquinho de amor próprio não? Me escuta Daniele tá na hora de você falar a verdade já! Meu Deus do céu! Será que a ficha não caiu? O Fábio ta muito longe de ser essa príncipe encantado que você quer que ele seja!
A Dani ficou me escutando séria, não conseguiu evitar as lágrimas. Logo ela que sempre foi tão forte, mas eu precisava alerta-la e assim que eu terminei ela disparou com os olhos pegando fogo de raiva:
- Você não tem nada haver com a minha vida! Se liga Luiza, você só diz isso porque pra você é muito fácil! Se ponha no meu lugar, aliás não se põe não porque essas coisas nunca aconteceriam com a senhorita perfeição! Você só sabe apontar e acusar, mais nada! Nada que valha realmente a pena ser ouvido! E aposto que você deve ter aberto essa boca pro irmão do Fábio né?!
- Claro! Se você quisesse que eu não me envolvesse nessa história não tivesse me contado! Agora eu tenho tudo haver sim! E não vou ficar de braços cruzados enquanto assisto você se dobrar em mil só para acobertar o pobrezinho que ainda por cima fala mal de você!
- E o que você tem haver com isso?! - ela gritou e levantou da cama.
- Grita mesmo! É bom que assim a tia Sílvia escuta e descobre logo quem é o pai da criança! - eu rebati, sem perceber que a tia Sílvia havia entrado no quarto naquele exato momento.
Nós duas nos calamos, mas já era tarde a madrinha havia ouvido o que eu dissera:
- Quem é o pai da criança? - ela perguntou.

-

Fim do Cap XVI



8 comentários:

  1. A espera do próximo capítulo *-*

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  2. A meu Deus só hoje eu ja li todos os capítulos desde do primeiro agora eu quero saber quando termina ess história .. o que vai acontecer com a Dani e Fábio e a Luiza com o Vitor ....
    Continuaaaaaaaaa

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  3. eu yava lendo lá em cima qe tem Parte II c
    cara os pais dela vao descobrir qe el atava com o vitor ?/ e vao mandar ela embora é??
    ai cara posta loguh

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  4. Não entendi a parte II...Perdi alguma coisa?
    posta mais!

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  5. Não Gabi la em cima

    onde tem tipo uma introdução tem assim:

    [b]O mundo de Maria Luiza

    Parte II - E agora eu me encontrava sem ele, sem o meu Vitor, sem a minha família, num novo lugar, no meio de novas pessoas. Não me importava mais com nada, eu só queria viver um dia de cada vez e assim dar meus passos devagar e contínuos. Até me pegava olhando ao redor do meu novo quarto pensando nos amigos que fui obrigada a deixar. A Dani não fala mais comigo, não responde meus e-mails. Deve estar muito chateada. Só que eu não ligo, não mais.
    [/b]



    aew eu deduji isso. e a parte dois é só depois

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