quarta-feira, janeiro 20, 2010

Cap XVI - Resistência ( Parte III )

2º Dia

Amar alguém é muito difícil, pois a pessoa amada torna-se uma necessidade, assim como a água ou o ar que respiramos e não poder ter essa pessoa, machuca. É como se sentíssemos sede, mas não pudéssemos beber, como se precisássemos respirar e não conseguissemos absorver o ar ao nosso redor. Eu simplesmente não conseguia esquecer por um minuto se quer o Vitor, a saudade do toque, do beijo, da voz no meu ouvido já me enlouquecia.
Se passavam das seis quando consegui dormir, escutei vozes vindo de algum cômodo indeterminado da minha casa, já tinha gente saindo para trabalhar e eu ainda não havia pego no sono. O encontro da madrugada só piorou a minha insônia, tentei me concentrar no fato de que no dia seguinte ele já iria embora, mas não adiantou muito.
Um bilhete perfumado e rosa repousava sobre meu criado mudo quando eu abri os olhos, deveriam ser mais de meio dia, era um recado da Dani:

"Amiga, hoje tenho um último exame para fazer. Vou tentar chegar cedo!"
Te amo
ass: Dani

- Meu Deus, quanto exame que a Dani ta fazendo. - pensei, enquanto reunia forças para me levanta e encarar mais aquele dia que se iniciava. Como eu presumi, o relógio do meu celular marcava meio dia e meio. A parte boa era que àquela hora eu estava sozinha, continuei a minha caminhada até fora do meu quarto enquanto refazia a conversa da madrugada que tive com o Vitor.
O sono ainda me controlava enquanto eu andava até o banheiro, mas antes de chegar lá despertei com a imagem que presenciei, era ele saindo de dentro do lugar onde eu ia, com uma toalha envolta da cintura, o tórax à mostra, havia acabado sair do banho.
Eu fiquei admirando involuntariamente aquela aparição, meus olhos percorreram desde seus pés ao último fio de cabelo, minha vontade foi de beijá-lo e fazer outras coisas que iam muito além disso, mas eu freei minhas vontades dando um passo para trás e ele desculpou-se antes de prosseguir seu caminho em velocidade acelerada.

- " Não vou me aproximar, não vou me aproximar, não vou me aproximar..." - mais uma vez repetia o mantra em minha cabeça enquanto tentava cozinhar a carne.
Afinal, o que ele estava fazendo àquela hora em casa? Ele não tinha que ir trabalhar? Minhas mãos tremiam, o copo de água com açúcar não fazia efeito.
- Ta fazendo o que? - ele me assustou ao entrar na cozinha, eu dei um pulo deixando o copo estilhaçar-se no chão.
- O que aconteceu com você Luiza? - ele perguntou parecendo estar preocupado, enquanto caminhava em minha direção.
- Nada, fica aí! Eu tô fazendo o almoço.
- Mas o fogo esta desligado. - ele constatou, eu não tinha percebido.
- O que você ta fazendo aqui Vitor?! - eu explodi, gritando com ele.
- É minha folga. - ele respondeu, sem entender o motivo da minha irritação.
- Ótimo! Era tudo que eu precisava! Ficar olhando para essa tua cara o dia todo! - continuei, esquecendo da educação que meus pai me deram.
- A casa é sua, se quiser vou embora e só volto quando você estiver dormindo. - ele respondeu pareceu se ofender com o que eu dissera.
Eu sorri, triste, não havia mais formas de esconder tudo que eu sentia:
- O que eu quero de verdade você não pode me proporcionar.
Ele franziu a testa em sinal de que não havia entendido e perguntou:
- E o que você quer?
- Te arrancar do meu peito... - eu admiti, sentando-me numa cadeira da pequena mesa de jantar.
Ele puxou uma outra e sentou-se de frente à mim. Seus olhos me encararam e eu desviei os meus, era difícil olhar para ele. O Vitor puxou de leve meu queixo até ter a certeza de que meu rosto e meus olhos o observavam, ele sorriu, mas um sorriso diferente dos que costumava utilizar para mim, aqueles cheios de malícia e confiança dessa vez deram lugar a um sorriso meio triste, inconformado, quase não reconheci. Estava mais sereno, poderia dizer até que com medo se essa fosse a palavra mais adequada.
- Ah menina... Você não sabe o quanto me dói te ver assim... - ele respirou fundo como se estivesse tomando coragem e depois de um tempo iniciou - Sabe, eu sempre tive todo mundo que quis, para mim tudo era sempre tão fácil, simples. As meninas vinham até a mim sem que para isso eu precisasse levantar um dedo se quer. Para mim mulher era o que não faltava... - eu o interrompi nessa hora, afinal eu não estava nenhum pouco interessada em saber quantas mulheres ele poderia ter.
- Vitor eu não quero saber disso.
- Mas eu quero que saiba no que você me transformou. - eu acenei com a cabeça indicando para ele prosseguir - Então, acho que não preciso nem dizer a forma como as amiguinhas da Dani ficavam comigo. Estava tudo tão bem Luiza, até você aparecer. Sempre te achei diferente, quando lia suas matérias nossa eu ficava pensando em como você era inteligente, mas até então só isso. Só que naquele dia quando você apareceu lá em casa procurando a minha irmã. Não sei explicar, mas você estava tão...- ele pausou procurando a melhor a palavra possível. - interessante – depois sorriu ao perceber que não era exatamente a palavra que ele queria usar - Nunca te contei isso, mas fiquei te observando dormindo. - parecia que enquanto me contava refazia na mente toda a situação. - Eu pensei: Uau que garota linda! E fiquei ali, como alguém que observa uma obra de arte. Você mexeu comigo Luiza e eu não sei explicar como isso foi acontecer, quando dei por mim já estava pensando em você, querendo estar do seu lado. No dia do nosso primeiro beijo você não tem idéia do turbilhão de sentimentos que me invadiu. Tudo em você me arrepia, me deixa parecendo um bobo. Sua voz me encanta, seu toque me enlouquece, seus beijos disparam meus sentidos. E agora eu tô com medo, medo de não te ter mais, de não poder te sentir, de te ver com outra pessoa. Você é a parte que me faltava, é quem me fez ver que eu era alguém vazio. É como se você fosse metade da minha alma. Luiza a única coisa que me importa é você. Sempre fui orgulhoso e confiante, mas hoje tô pisando nessas minhas características para te pedir pela milionésima vez desculpas, eu preciso de você e eu não sei dizer o quanto você significa para mim porque eu te amo já se tornou insuficiente para descrever tudo que sinto.
Pela primeira vez vi os olhos do Vitor ficarem úmidos, ele tentava esconder algumas lágrimas, mas estas já desciam por sua face sem que ele conseguisse controlar, mas antes que eu pudesse perdoa-lo eu precisava saber:
- Vitor, porque você dormiu com aquela garota?
- Foi a maior besteira da minha vida. Tudo aconteceu muito rápido Luiza, quando fui ver já tinha acontecido, ela me prometeu que não contaria o que viu à ninguém... Sei que estou errado, mas preciso do seu perdão.
Fechei meus olhos e os abri em seguida, mexi em seus cabelos, fazia tempo que não os sentia. Beijei seu rosto e ele pôs sua mão direita em cima da minha, nossos lábios se encontraram num toque doce e calmo, eu o havia perdoado.

-
Fim da Parte III

6 comentários:

  1. Q lindoooo !!!!
    ja naum aguentava maiis os dois brigando adoreiii !!
    continuaaa !!

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  2. AÍN ESSE CAP. FOI PERFECT.

    POSTA MAISSSSS

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  3. POSTAA, mas agora tem que aparecer algum garoto para ele ficar com ciumes, usahsaushauhsuas'

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  4. Mas agora tem que aparecer algum garoto para ele ficar com ciumes


    Postaaaa!!!!!

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