segunda-feira, janeiro 11, 2010

Cap XIV - Riscos


A Dani tem um metro e setenta, os cabelos são dourados e lisos, os olhos azuis da cor do oceano. Sempre foi alta de mais pra idade que tinha, bonita de mais, inteligente de mais... E foram essas características que atraiu a atenção do Fábio, ele sempre com aquele porte de homem, sério, charmoso, educado. Até achava que os dois formavam um belo casal, nunca aprovei a relação que mantinham, mas devo admitir é difícil encontrar duas pessoas juntas que são extremamente lindas. Desde que ela fica com ele nunca mais ficou com mais nenhum outro rapaz. No colégio, os meninos que não olhavam para a Bia olhavam para ela, ou as duas. Nunca me importei, só queria o Bernardo mesmo. Quando os pais dela descobriram a gravidez tomaram uma atitude completamente inversa à aquela que imaginávamos, o tio Luís disse que mataria o filho da mãe que fizera isso com a filha dele, mas para ela sempre disse que a apoiaria em tudo e apóia mesmo. A tia Sílvia ficou do lado dela dando mil conselhos de modo algum queria que ela abortasse, mas não iria contra qualquer decisão da filha. O tia Sívia sempre diz:
- Se ela foi mulher para engravidar, vai ser mulher para tomar a atitude mais adequada.
A Dani me perguntou o que eu faria na situação dela, eu respondi que não sabia. Às vezes me sinto tão inútil em relação a ajudar minha amiga, ela precisa tanto de mim e eu? Bom eu não sei o que dizer, as palavras não saem, o pensamento não flui. Sou imatura de mais para bons conselhos.
- Já desisti de falar com ele. O Fabinho age como se eu fosse um fantasma, toda a vez que me aproximo ele foge, manda eu esquecê-lo. Me sinto tão sozinha amiga, eu sei que tenho o apoio dos meus pais, dos padrinhos, do Vitor, de você. Mas ele é quem eu amo. Queria tanto estar ao lado dele, escutar aquela voz dizendo que esta tudo bem. Acho que um dos piores sentimentos é o amor não correspondido. É torturante ver quem você gosta com outras pessoas e o Fabinho faz questão que eu o veja cercado de meninas, parece que sente prazer nisso... - a Dani desabafou essa tarde, eu e ela conversávamos no meu quarto.
- Mas amiga você não precisa do Fabinho pra ter essa criança.
- Sabe resolvi ter essa criança, não posso culpá-la das minhas atitudes, mas eu só queria que o Fabinho estivesse comigo... - continuou, percebi que eu não precisava falar muitas coisas ela é quem precisava desabafar, falar tudo o que estava sentindo e assim eu me calei.
A Dani gosta mesmo do Fabinho e ele demostra não estar nem aí pra ela, não foi no hospital vê-la, acho que não estava nem preocupado com a situação dela, só fez todo aquele circo para que eu não espalhasse pra todo condomínio que ele era o pai. Às vezes até tenho vontade de dizer ao tio Luís que sei quem é o pai, mas a Dani nunca me perdoaria. Ela é muito orgulhosa em relação a isso, ela diz que tem condições de criar o filho sem precisar do Fabinho. Aliás já até me convidou para ser madrinha, eu aceitei óbvio. Meu primeiro afilhado ou afilhada, para falar a verdade prefiro que seja menina, o Vitor disse que o primeiro sobrinho dele tem que ser um menino, pra ele ensinar a jogar bola, soltar pipa.
- Percebi que você e o Vitor se aproximaram bastante nesses últimos dias. O que aconteceu? - ela me perguntou certa hora. A Dani muda de assunto como quem muda de roupa, quando não estou atenta às nossas conversas acabo sempre entregando o que ela quer saber.
Meus pensamentos foram a mil com essa pergunta, ela já havia notado algo estranho entre eu e o irmão dela desde o dia do hospital e volta e vem sempre me fazia uma perguntinha aqui outra perguntinha ali sobre nós. Mentir para ela não adiantaria de muita coisa afinal ela era minha melhor amiga, sabia tudo sobre mim, apesar de meus segredos não serem nem de longe tão interessantes quanto os dela. Respirei fundo e disse a verdade, em parte porque eu achava que mentir não adiantaria de nada mesmo e em parte por querer desesperadamente o apoio de alguém:
- Nós estamos ficando. - finalmente eu repondi, não tive coragem de olhar pra cara dela, enfiei meu rosto mais ainda dentro da geladeira fingindo que procurava algo para comermos e esperei ansiosa por uma reação.
- Você o que? - ela quis confirmar, com aquele tom de quem acabara de levar um susto, mas antes que eu pudesse responder ela continuou: - Por isso o Vitor te olha daquele jeito! E por isso da sua cara naquele dia do churrasco! Caraca!! Agora tudo faz sentido! Mas quando isso começou? Quer dizer que você e meu irmão estão juntos! A quanto tempo? Alguém já sabe? Amiga se nossos pais descobrem vocês tão ferrados!
- A tia Sílvia é a única que sabe. - repondi umas das centenas de perguntas que ela me fazia ao mesmo tempo. Era notável a excitação da Dani, ela balançava as mãos incessantemente, dava gritinhos histéricos, ficava andando de um lugar pra outro, reunindo fatos.
- A Aline ta morrendo de ciúmes de vocês! Ela outro dia veio me fazer a fofoca que viu você beijando o Vitor quando voltou de Copa. Eu não acreditei muito, mas amiga ela disse que a mãe dela também viu e uma senhora que mora na outra rua também. E olha que ela disse que os beijos de vocês tavam pra lá de quentes heim!

Eu gelei, essa não! Eu jurava que não tinha ninguém na rua naquele dia. Maldito seja aquele champanhe, assim que o Vitor desceu do carro naquele dia eu o beijei entre o meu portão e a rua, no inicio ele tentou me avisar que estávamos na rua, mas depois se esqueceu completamente dos riscos e correspondeu na mesma intensidade.
- Tem certeza? - perguntei, enquanto minha mente refazia toda a situação.
- Tenho. - a Dani confirmou, ela realmente tinha certeza do que dizia.
-Não acredito. - foi a única coisa que eu consegui formular, depois daquele medo congelante abater-se sobre todo o meu ser.


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