quarta-feira, janeiro 27, 2010

Cap XXI - Despedida

Quando o Vitor estacionou o carro em frente a minha casa meu estômago se retorcia em dor e medo, eu encarei aquele lugar ao qual eu fui criada com certa dificuldade. Ele me olhava minuciosamente dando a impressão que queria ler meus pensamentos. Permanecemos dentro daquele veículo imóvel por alguns poucos minutos, voltei meu rosto em direção a ele e num sorriso triste eu comecei:
- Obrigado por tudo, te amo de mais Vitor.
- Você me mudou Luiza, eu que tenho que agradecer. Te amo.

Nos beijamos e eu desci do carro enquanto ele ainda me observava entrar em casa, a minha vontade era de me enfiar no carro dele e pedir para que ele fosse para qualquer lugar longe dali, mas me limitei a acenar com a mão quando fechei o portão de casa e mandei um beijo antes da figura dele sumir do meu alcance visual.

Minha mãe já estava em casa, ela tomava café na cozinha enquanto conversava com alguém pelo telefone, eu entrei e ela me encarou com a face recheada de perguntas esbocei um sorriso de agradecimento ao que ela havia feito e fui correspondida com um leve piscar.

As malas já tinham sido postas fora do quarto, em cima da cama uma calça djeans e uma camiseta lilás estampada com a foto da minha banda preferida aguardava para ser vestida, o meu quarto parecia uma foto antiga e fria de uma lembrança torturante de tão boa, engoli seco enquanto analizava pela última vez as fotos no mural de amigos, pausei enquanto apreciava uma foto minha com a Dani, fazia tanto tempo que não a via ou conversávamos. Acho que no dia em que contei a verdade para a tia Sílvia meu mundo começou a desabar e eu nem percebera, peguei cuidadosamente nosso registro de amizade e apertei contra meu peito:
- Ela não veio se despedir. - minha mãe comentou apoiando o corpo no portal do meu quarto.
- Acho que ela nunca vai me perdoar. - respondi.
-Filha, a Daniele te ama, mas esta muito chateada com você, para ela você agiu errado em dizer a verdade.
- Eu só queria o bem dela...
- E você conseguiu, graças a você o Fábio vai assumir a criança e a família dele vai saber dela. Imagino quanto tenha sido dificíl para você tomar a decisão que mudou o rumo da amizade de vocês, mas foi necessário e um dia ela verá isso. Saiba esperar. - minha mãe me abraçou e eu deixei as lágrimas rolarem por minha face e umedecerem sua blusa de algodão.
- Ta tudo errado.
- As coisas vão se acertar minha querida.
- Tomara mãe, tomara...

Aos poucos fui organizando o que faltava, pus alguns sapatos, umas poucas blusas que eu havia esquecido no armário, mais parecia que eu iria passar dias na casa da minha avó e não de fato me mudar.


Quando terminei parei no cômodo que fora meu refúgio desde criancinha, parecia que eu me via com oito anos na noite em que me escondi dentro do armário brincando de pique-esconde com a Dani numa vez em que faltou luz, outro flexe de memória me levou ao dia em que eu e ela ficamos espiando o Vitor beijar sua primeira namorada no portão do vizinho que morava em frente, nós tinhamos 11 anos e ele 15. Encarei a cama e ali me lembrei da vez que acordei com os olhos do Vitor aquilo me causou certa saudade e uma pontinha de tristeza. Sentei na cama e aos poucos dexei as memórias invadirem minha alma.
- Ta na hora. - a voz de minha mãe me despetou do transe momentâneo.

Desci as escadas seguindo os passos da minha mãe, minha mente pesava e meus pés pareciam ter vida própria e resistiam em prosseguir o caminho.
- Não queria que terminasse assim... - escutei minha mãe lamentar, entre suspiros.
- Não tem nada terminando mãe.

Entramos no carro de vidro fumê e ali permaneci quieta, meu coração dóia a medida que a certeza de que eu não veria mais o meu Vitor se intensificava.

Tentei ao máximo não chorar na frente da minha mãe, nunca gostei de chorar na frente de qualquer pessoa acho que isso é um sinal de fraqueza apesar de que com o Vitor esse fato ter se tornado habitual.
- Quer ligar o som? - minha mãe perguntou na tentativa de quebrar o silêncio eu neguei com a cabeça e continuei a analisar a paisagem por fora da janela.

Eu lia cada placa que passava, cada informação escrita que me fazia supor que eu me aproximava do aeroporto, mal percebi quando na minha cabeça um lapso de memória me lembrou que eu nunca andara de avião antes:

- Pelo amor de Deus Luiza! Fale alguma coisa, já esta me deixando nervosa com esse silêncio todo, você nunca foi assim! - minha mãe enfim reclamou, enquanto dividia sua atenção estacionando o carro.

- Quando chegarei lá?

- Você deve chegar no aeroporto às 01:00, de lá o motorista da sua avó te leva até a cidade onde ela mora que deve levar mais uns quarenta minutos... Bom lá pelas 02:00 da manhã você estará lá com certeza. - ela afirmou enquanto fazia cálculos mentais.

- Ok. - respondi tirando do porta-malas minhas coisas, dei às costas a minha mãe e apressei meus passos.

- Aonde você vai com tanta pressa? - uma voz masculina soou vindo de detrás de mim, eu reconheci instantâneamente e meus olhos brilharam em felicidade, ele estava a poucos metros de mim próximo a minha mãe, ela sorria e eu abracei o Vitor com tanta urgência que deixei minhas malas de mão cairem no chão:

- Você não percebeu meu carro atrás de você durante todo o trajeto? - o Vitor me perguntou, enquanto eu me envolvia em seu abraço apertado e aconchegante.

- Não eu não vi amor...

- Sua mãe pediu que eu viesse. -ele sussurrou.

- Obrigado mãe. - agradeci.

- É o mínimo que eu poderia fazer.- ela respondeu e após um silêncio de quase dez minutos eu perguntei algo que minha mente queria saber.

- Uma coisa eu não entendi, como reagiu o tio Luís, a Dani e a tia Sílvia?

O Vitor desviou o olhar para minha mãe, ela se aproximou de nós e num tom pesado respondeu:

- O Luís e a Sílvia não estão se falando.

- A Dani passa os dias trancada no quarto... Ta um verdadeiro inferno lá em casa, parece que todo mundo pirou. - ele finalizou com um longo lamento.

Não pude deixar de me sentir culpada, parte de tudo que estava acontecendo era por causa da total falta de sanidade ao beijar o Vitor pela primeira vez, foi ali que tudo começou a acabar e talvés nada pudesse ser como antes, eu tenho vergonha de admitir mas durante um breve instante de tempo desejei do fundo do coração morrer, aquilo me assustou logo após, mas fora um pensamento que não pude controlar.

- A culpa não é sua amor. - o Vitor pareceu ler meus pensamentos e com um sorriso doce me acalmou.

Famos caminhando até o hall do aeroporto, após feito o check list abracei minha mãe apertando-a num abraço gostoso e forte:

- Pare de chorar, logo logo você volta. - minha mãe disse aos prantos, mas eu não chorava. Ela queria acalmar-se.

- Relaxa mãe, logo logo eu volto. - eu respondi repetindo as palavras que ela dissera num sorriso triste na tentativa de animá-la.

Agora era vez de eu me despedir dele, do meu Vitor. Meu coração apertou e minha garganta pareceu ressecar, dei dois passos em direção a ele e encarei aqueles olhos castanhos:

- E então...? - perguntei.

- E então? - ele repetiu.

- Então... - repliquei pouco antes dele calar qualquer pensamento meu com um beijo, aquele tipo de beijo tão urgente e necessário que te tira o chão. Cada partícula do meu corpo respondeu aos estímulos enviados através daquele toque labial, desci minha mão direita pela nuca dele e senti seus cabelos castanhos e macios.
- Ainda não consigo acreditar que você vai sair da minha vida... Luiza eu te amo, te amo, te amo...

Passei o dedo indicador pelos seus olhos para enxugar suas lágrimas, ele sorriu triste:

- Sua moleca, olha no que você me transformou? Num bobo chorão e apaixonado... Obrigado.

- Te amo Vitor, somos para sempre, para todo o sempre. Mesmo longe, a certeza de que você existe me fará feliz.

- Eu te amo tanto Lu que a sua felicidade me satisfaz, mesmo te vendo com outras pessoas.

Nos abraçamos mais uma vez numa despedida triste e melancólica, eu já sentia saudades dele mesmo estanto envolta em seu corpo, aos poucos fui me distanciando do Vitor enquanto sentia o cheiro dele evaporar no ar, entrei no hall de passageiros e não mais o vi.

Algo em mim dizia que a mudança iria me surpreender, mas o que realmente estaria por vir?

6 comentários:

  1. ain qe triste =(
    até chorei *

    continuaaaa
    tah mto bom

    ResponderExcluir
  2. ki triste lindo maiis triste
    nossa chorei pacas lendo (a boba sentimental...) espero ki els voutem a fikar juntos novamente ou que pelo menos eles sejam felizes .....


    MAIIIIIS >.< :'( !!!!

    ResponderExcluir
  3. me emocionei muito muito lindoh E TRISTE

    ResponderExcluir

Quem esta por aqui?