segunda-feira, janeiro 25, 2010

Cap XX - Separação (Parte II)

O que torna a mentira uma coisa ruim é a verdade, mas o que de fato é ruim? Agora eu preferia continuar mentindo, escondendo, fingindo, do que ser flagrada, do que gritar a verdade, pois nem sempre as pessoas estão preparadas para escutá-la.
Por mais que as pessoas digam, implorem pela verdade seus olhos e suas almas pedem a mais doce mentira. Aprendi isso hoje, quando meus sentidos, minha pele, meus olhos pediam a Deus para voltar dez minutos atrás, para apagar o que meu pai vira, para que tudo continuasse em segredo, porque me dói pensar que não poderei mais ver o meu Vitor, que o cheiro dele e aqueles olhos não mais estarão perto de mim o suficiente para me embriagar...

Senti cada partícula de meu corpo enrijecer quando meus olhos encararam os olhos do meu pai, ele ainda estava em choque, sem mover um músculo se quer diante de nós, eu e meu Vitor. Eu já havia pensado dezenas, centenas, milhares de palavras para dizer caso meu pai descobrisse tudo, porém nenhuma parecia fazer muito sentido e todas se amontoaram em minha garganta fazendo-me calar, de uma maneira que deixava subentendido todo o erro e a mentira ocultos.
Os dedos do Vitor descerem em rápido e ríspido gesto por minhas mãos em direção ao nada pouco antes dele se levantar diante de meu pai, eu continuei no mesmo lugar sem forças para me mover perante tal flagrante, desejei mentalmente que tudo aquilo fosse apenas uma miragem, um desvaneio do que poderia acontecer se meu pai, Carlos, acabasse descobrindo. Infelizmente, não era.

- Vocês dois...? - meu pai enfim dissera algo, com um pouco de dificuldade em formular as palavras a impressão era de que para ele era uma tarefa bastante árdua falar e pensar ao mesmo tempo após presenciar aquela cena.
- Carlos, eu posso explicar. - o Vitor tentou amenizar num tom confiante e seguro, porém aquilo só piorou a situação.
- Explicar? Explicar o que?! - agora meu pai pareceu voltar à realidade e exageradamente alto perguntou com as palavras todas sendo cuspidas enraivecidas.
- Carlos eu e a sua filha não planejamos nada, tudo isso aconteceu de uma forma bastante inocente. - o Vitor insistiu transparecendo calmaria e tranquilidade, mas eu fui a única a perceber a forma como suas mãos tremiam diante de tudo que se desenrolava perante ele.
- Inocente?! -meu pai repetiu de forma debochada e contraditória. - Onde esta a inocência nisso?Na parte em que eu e a mãe dela damos as costas e você vem aqui fazer sabe-se Deus o que ou na parte das mentiras?

Eu me levantei nesse exato momento, ainda não sei se a intenção do meu pai era de me insultar ou se ele estava dizendo aquilo por estar de fato pensando aquilo, porém não quis me importar com qual das duas alternativas faria mais sentido, eu não queria e não admitiria ele, mesmo sendo meu pai, de me acusar de algo que eu não fizera:
- Olha pai você já esta passando dos limites... - porém antes que eu conseguisse completar a frase os passos apressados de minha mãe subindo as escadas me interromperam.
- O que esta acontecendo? Carlos era só para você pegar um documento, Vitor... O que você esta fazendo aqui? - ela estava perdida em meio a toda aquela confusão que meu pai fez questão de simplificar de uma forma bastante... vulgar, digamos assim.
- A sua filhinha estava se agarrando com o filho da Sílvia, o Vitor...
- Que? - minha mãe não acreditou, olhou para mim como quem pede para que aquela afirmação fosse desmentida, não tive coragem de encará-la e desviei meus olhos até o lugar mais distante daquele cômodo.
- Nós iriamos contar a verdade. - foram as únicas palavras que consegui reunir após o olhar de decepção involuntário feito pela minha mãe.
- Quando Luiza? Quando você engravidasse dele como fez a Daniele com o Fábio? Nunca imaginei que você... Logo você Luiza fosse capaz de ser tão leviana, mentirosa...! - meu pai continuou com cada palavra sangrando e encravando meu coração.
- Para pai! Não é nada disso! - gritei pedindo aos céus que ele se calasse, pois eu já não aguentava mais tantas palavras destrutivas.
- Pare Carlos, a Luiza e eu nunca fizemos nada. - o Vitor tentou dialogar um pouco alterado com as acusações do meu pai.
- Eu te considerava como um filho Vitor, você e a Luiza foram criados como se fossem irmãos, nunca... Eu simplesmente nunca duvidei de você, e agora me faz isso? Bela recompensa não?
Minha mãe entrou na frente do meu pai antes de ele dar mais um passo em nossa direção:
- Saia da minha frente Andréia. - ele pediu.
- Não! Vitor, Luiza vão para outro lugar. - embora toda aquela situação desagradável cegava qualquer tipo de racionalidade o ato da minha mãe me causou certo espanto e muito arrependimento, ela parecia ter aceito a idéia de me ver junto ao Vitor de uma forma muito mais pacifica que o meu pai, talvez se eu tivesse tido a coragem de falar com ela antes eu conseguiria evitar agora aquela briga.
- Não Andréia, a Luiza fica! - ainda não sei como, mas num ato rápido e cheio de fúria meu pai conseguiu sair de perto da minha mãe e aproximar-se de mim para o que eu julgaria mais tarde como: " O começo do fim".
Senti minha face direita arder em chamas e os dedos direitos da mão do meu pai tatuaram meu rosto em total sincronismo, em seguida um silêncio torturante e a perda total da presente situação se sucedeu algo que somente terminou quando assisti o Vitor fechar o punho no rosto do meu pai que caiu para trás com o impacto.
Minha mãe partiu em defesa do meu pai e num ato desesperado socou duas vezes o peito do Vitor, gritando ofensas acompanhadas de lágrimas, mas o Vitor pareceu não sentir e eu fiquei observando aquela cena pensando aonde fora que eu me perdi, fiquei calada enquanto a raiva tomava conta da minha família e a culpa era minha, apenas minha... Se eu não tivesse sido tão fraca, se eu não tivesse beijado o Vitor, se eu não me aproximasse dele nada daquilo estaria acontecendo.
O Vitor segurou o pulso da minha mãe pedindo para que ela parasse, meu pai levantou-se em defesa e raiva, foi então que gritei:
- Vai embora Vitor! - não sei se ainda foi a melhor atitude a se fazer, mas era a única forma de acalmar os ânimos. Decidi encarar sozinha meu pai e minha mãe e embora a face decepcionada e triste do meu Vitor recaíra sobre mim cortando meu coração ele não disse nada apenas deu as costas e saiu como um verdadeiro soldado que perde uma batalha. - Desculpa. - sussurrei, mas apenas um olhar vago eu recebi em troca.

Agora seria eu, meu pai e minha mãe e embora aquilo me causasse verdadeiro horror eu precisava escutá-los.
A cabeça do meu pai balançou em reprovação e negação, eu dei de ombros e voltei a me sentar na poltrona:
- Olha só o que você causou... - minha mãe pareceu realmente irritada, acho que o soco do Vitor fez com que ela optasse em defesa do meu pai.
- Não tenho o que falar com você, não há palavras que descrevam o que estou sentindo agora conseguiu me machucar Luiza. - a voz do Carlos estava calma, porém assustadora.
- Não foi de propósito, aconteceu... Eu e o Vitor acabamos nos envolvendo sem querer. - de alguma forma eu não conseguia me defender, minha cabeça baixa e a voz rouca atrapalhava as palavras e a mente. As lágrimas desciam de modo incontrolável.
- Nunca vou aceitar vocês juntos, nunca Luiza. Isso é nojento, é errado... - meu pai se referia a mim e ao Vitor como se aquilo fosse altamente blasfêmico, a palavra nunca me amedrontou, nunca é muito tempo.
- Vá para seu quarto. - minha mãe mandou, mas antes que eu desse as costas totalmente escutei em alto e bom som:
- Arrume suas coisas, vai para o Sul e você nunca mais se aproximará dele.

Fim da parte II

9 comentários:

  1. O.O coitadosss !!!
    pq ela naum foi com o victor?????
    ele naum vai fazer nada?????????
    vai deixar ela ir pro sul?????????
    continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !!!!!!!!

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  2. *o*
    surtei cara o tapa Lu levou deve nao doeu viu.
    e achei lindo o soco qe o vitor deu no carlos
    cara o vitor tem qe fazer alguma coisa pra eles ficarem juntos ??
    e a tia silvia ??

    ele poderia ajudar neah?? ela naum vai qerer ver o filho sofrer.

    ahh continuaaaa

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  3. Começei a ler e nao parei mais sua estoria é muito boa !

    By: Josh

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  4. aai que afliçãão, LUIZA E VITOR FELIIIIZEES por favoor, um final feliz!

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  5. aiiin! queo continuar lendo. POSTA MAIS!

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  6. nossa que odio desses pais delaaas :@

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