terça-feira, janeiro 12, 2010

Cap XV - A Festa ( parte II)

- Eu tenho nojo de você! - essa frase esta cravada na minha mente, eu disse ao Vitor hoje à tarde antes dele me dar as costas e sair andando. Eu o deixei ir, estava tão irritada, tão chateada com as atitudes despreocupadas dele em relação a nós e principalmente com o que ele fizera. Que explodi, disse um milhão de coisas que não deveria dizer. Quanto a isso percebi que somos um pouco parecidos, quando estamos zangados acabamos tocando exatamente na ferida um do outro e isso piora tudo.
Ele chegou aqui em casa lá pelas cinco, lanchamos e fomos assistir televisão, ele estava quieto de mais, meu corpo repousava encostado no dele e a mão direita dele acariciava a minha:
- O que foi? - perguntei.
- Falei com a Aline ontem. - ele me disse.
- O que? Eu falei para você não falar com ela amor, aposto que não adiantou nada. - disse, calma.
Ele desligou a televisão, ajeitou-se no sofá e balançou a cabeça como se quisesse espantar um pensamento ruim:
- Que foi? Ta estranho hoje. - comentei.
- Adiantou sim.
Eu franzi a testa, como ele poderia ter conseguido que a Aline se calasse? Foi inevitável eu perguntar como.
Seus olhos percorreram toda a sala na tentativa de fugir dos meus, percebi que ele sempre faz isso para se encorajar a algo:
- Vitor o que você fez? - perguntei, séria.
- Ontem fui na casa da Aline...
- Isso eu já sei. - interrompi.
- Luiza eu te amo de verdade, quando estou com você me sinto de uma forma inexplicável...
- Ta e daí? - realmente eu dispensava palavras bonitas naquela hora, eu só queria uma coisa: A verdade.
- Conversei muito com a Aline, tentei fazê-la não contar pra ninguém o que viu...
- Vai logo ao assunto Vitor!
- Ela me disse que só não contaria se eu a beijasse da mesma forma que me viu te beijar.
Não tinha palavras para interrompê-lo, fui fria, fiquei o observando e imaginando o beijo entre ele e a Aline, aquilo revirou meu estômago, mas deixei-o prosseguir:
- Eu disse que não conseguiria fazer isso, que nossos beijos eram únicos e inigualáveis porque eu te amava. - permaneci quieta sem demonstrar qualquer indiferença, só queria saber onde ele chegaria.
- Então... - ele fez uma pausa, enquanto lembrava de algo que lhe causava arrependimento - Eu dormi com ela.
Minha reação foi inevitável, eu ri, um riso irônico e triste:
- E olha que você me ama hein se não amasse... - comentei, aquele meu comentário traduzia perfeitamente o motivo do meu riso.
- Luiza me desculpa. Eu sei que estou errado, não vou tentar me explicar.
- Olha, vai para casa ta? Sabe eu e você... Não era para acontecer. - eu disse, calma, fria.
- Você sabe que não. Sabe que eu te amo.
- Me ama? Quem ama não trai, não mente, mas ta tudo bem Vitor.
- Luiza para. - ele me pediu segurando na minha mão direita, nesse instante nossos olhos se encontraram e tudo que eu queria segurar em relação ao que ele me disse veio à tona.
- Vitor! Eu não acredito que você fez isso! Sério mesmo! Esperava isso de qualquer um menos de você, e logo com quem você foi me trair? Com aquela garota que só quer me ver pelas costas, me diz só com qual cara vou enfrentar ela agora? E você é um grande idiota ou pensa que sou idiota se acha que por causa disso ela não vai contar o que viu pros meus pais. Sério cara, eu pensei que por você ser mais velho, mais maduro, teria uma outra conduta. Me enganei feio. Devia ter pego o exemplo da Dani e do Fabinho. - eu deixei escapar, mas não tinha como segurar. As palavras estavam saindo cuspidas, simplesmente estavam sendo despejadas em cima do Vitor.
- Fabinho? - ele repetiu. - Pera aí, é aquele cara que é o pai do filho da Dani?
- Isso não é problema seu. Não dá para acreditar em você, certa vez você me chamou de prostituta lembra? Mas quem acabou agindo como uma foi você. - eu o olhava dos pés a cabeça, repugnando cada centímetro do seu corpo.
- E você que tem milhares de segredos? Aliás esse do Fabinho é só mais um deles! - ele gritou, era impressão minha ou ele queria me transformar na vilã da história? Não iria permitir isso, jamais.
- Olha só esse é um problema da sua irmã, você não tem nada haver com isso e não queira me transformar na errada da história, afinal? Quem traiu quem aqui?! - gritei, minha voz estava firme, meus olhos transpareciam toda a raiva que sentia dele. - Você é um mentiroso, cafajeste! - esbravejei.
Ele riu irônico e rebateu:
- Eu mentiroso? Você que é uma mentirosa! Viveu sua vida toda mentindo para si própria, condicionando-se ao ao que seus pais queriam, nunca tomou sua própria decisão em nada.
Eu o observei, segurei as lágrimas que queriam rolar, ele realmente queria me machucar, mas eu não deixaria passar. Recuperei um pouco das forças que ele me roubara e disse num tom forte e devagar:
- Eu sinto pena de você... Se me ama mesmo do jeito que você diz infelizmente te digo que a pessoa que você ama tem nojo de você, toda a vez que eu te vir vou te imaginar beijando... se esfregando... Com aquela garota... - continuei, fazendo uma cara de repulsa, ele manteve-se calado enquanto eu continuava a despejar minhas duras palavras - Eu tenho nojo de você. - finalizei, ele me deu as costas e saiu.

Agora? Eu não sinto nada, nem dor, nem tristeza, nem felicidade, nada... Parece que fui anestesiada, não paro de associar a imagem dele à de Aline e isso me leva a pensar nos dois juntos. Talvez eles se mereçam, o que eu sei é que não quero mais olhar o Vitor, nunca mais. Eu não devia ter permitido que isso acontecesse, logo eu que sempre me orgulhei do meu pensamento calculista e frio estou diante de algo que nunca senti antes, um completo vácuo. Não há o que sentir. Aqueles olhos dele... Deus, aqueles olhos. Não quero nunca mais ver, nunca mais sentir aquele toque, nunca mais deixar o cheiro dele penetrar em mim e me encher de paz.

Nunca mais.

Fim da parte II

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