Hoje de manhã quando acordei meus pais já tinham saído e eu enlouqueceria se ficasse em casa sozinha, simplesmente não está dando para ficar em qualquer lugar ao qual meus pensamentos possam fluir naturalmente, pois eles sempre me levam a maldita cena que insiste em se repetir na minha cabeça.
Vesti um short, pus uma camiseta branca e calcei os chinelos. Estava cedo demais para ir para o shopping, fui andar pela praça do condomínio, era bem de manhã, umas mães passeavam em volta, um casal de velhinhos sentados num dos bancos que circundavam as gangorras, escorregas, balanços... Umas pessoas caminhando, o barulho das árvores, talvez aquele ambiente fosse melhor que as quatro paredes da minha casa. O seu Jorge sempre ficava sentado num daqueles bancos observando a tudo, às crianças que brincavam, aos casais, às pessoas que se exercitavam.
Vesti um short, pus uma camiseta branca e calcei os chinelos. Estava cedo demais para ir para o shopping, fui andar pela praça do condomínio, era bem de manhã, umas mães passeavam em volta, um casal de velhinhos sentados num dos bancos que circundavam as gangorras, escorregas, balanços... Umas pessoas caminhando, o barulho das árvores, talvez aquele ambiente fosse melhor que as quatro paredes da minha casa. O seu Jorge sempre ficava sentado num daqueles bancos observando a tudo, às crianças que brincavam, aos casais, às pessoas que se exercitavam.
Quando eu era pequena sempre vinha brincar na praça com a Dani e o seu Jorge sempre estava lá, de vez em quando ele ficava alimentando os pássaros e eu e ela corríamos para espantá-los, era tão divertido aquele levante de tantas aves coloridas. Adorávamos, era a parte mais divertida do dia. A minha mãe dizia que qualquer dia os pássaros iriam comer nossos fígados para se vingar, nem ligávamos nem sabíamos o que era fígado mesmo.
Os tempos se passaram e aquela boa época não volta mais, às vezes sinto falta de toda aquela irresponsabilidade da infância, naquele tempo eu não ligava para nada, não me interessava futuro, amor, decisões, eu só queria uma coisa: brincar.
Os tempos se passaram e aquela boa época não volta mais, às vezes sinto falta de toda aquela irresponsabilidade da infância, naquele tempo eu não ligava para nada, não me interessava futuro, amor, decisões, eu só queria uma coisa: brincar.
Sentei em um dos bancos que estavam vazios, pus os fones no ouvido e permaneci ali diante de todas aquelas vidas que se cruzavam, o casal de velhinhos ria, as pessoas conversavam e eu observava a todos, como fazia seu Jorge. Para meu desprazer a Aline e umas amigas faziam a caminhada matinal como algumas outras pessoas, tentei ignorá-la, mas não consegui. Pela primeira vez estava com medo dela, me senti como aqueles alunos nerds que têm medo dos alunos populares e fortes, que a qualquer momento podem machucá-los. O meu medo se concentrava numa única arma que ela poderia usar, a mais forte e mortal que qualquer ser humano inteligente utiliza: As palavras. Ela me encarou e sorriu, um sorriso triunfante, eu desviei os olhos que insistiam em manter-se úmidos com as prováveis lágrimas que eu me esforçava para continuarem imperceptíveis.
Levantar e ir embora seria o mesmo que dar a certeza que ela tinha vencido e isso eu não faria jamais, por mais que a Luiza forte e fria estivesse cada vez mais distante da minha atual realidade um pouco de orgulho ainda me sobrava. Olhei para o seu Jorge, tão calmo e sereno, tentei me concentrar na paz que ele transmitia. Respirei e voltei minha atenção para a música que se prosseguia em meus ouvidos, não percebi quando ela sentou-se ao meu lado.
- Bom dia Lu. - a Aline disse, num tom provocativo.
- Bom dia. - respondi, tentando ser o mais normal possível, mas não consegui e ela percebeu.
Ela trajava um short de tactel curtíssimo, uma camiseta que deixava seu piercing à mostra. Senti quando seus olhos percorreram-me como se procurasse algo, não tive coragem para encará-la:
- E então... O Vitor deve ter comentado contigo a respeito da nossa noite.
- Pergunte a ele. - respondi.
Ela sorriu e continuou:
- Pelo visto sim. Lu não fique triste por ele ter preferido à mim, sabe... olhe para nós duas. Não que você seja feia, mas fala sério qualquer um iria preferir à mim. Nossa o beijo dele é tão intenso, tão cheio de vontades. - ela começou a descrever a forma do beijo do Vitor e aquilo me machucava e eu não podia fazer nada. Afinal ele preferiu à ela.
Deixei ela falar, se fosse embora estaria comprovado que ela tinha ganho:
- Lu, eu entendo que tenha se apaixonado pelo "V" afinal ele é lindo, inteligente... Mas você é uma menina e ele já é homem, não me odeie por ter sido mais mulher que você... - e ela continuou, eu não tinha forças para rebater, ela queria mesmo me destruir da pior forma possível, da forma que começa de dentro para fora.
Meus olhos cheios d'água denunciaram que ela tinha conseguido o que queria. Depois foi ao encontro das amigas, que a aguardavam num outro extremo da praça eu permaneci ali, com as mãos segurando a testa, os olhos encarando o chão, os cotovelos no joelho relembrando cada palavra dita e a maldita imagem ainda mais forte na mente.
- Não deveria deixar se abater pelas palavras daquela jovem... - disse uma voz macia, serena, calma aproximando-se de mim e sentando ao meu lado, eu continuei na mesma posição sem mover um músculo.
- Mas ela tem razão. - respondi, minha voz saiu tremida denunciando meu verdadeiro estado.
- Sabe, certa vez minha mãe me disse uma frase interessante que passei sempre a usar em diferentes ocasiões da minha vida, ela dizia : Ás vezes pessoas boas fazem escolhas ruins e pessoas ruins fazem escolhas boas. - continuou o seu Jorge.
Eu franzia as sobrancelhas, afinal o que aquela frase tinha haver?
- Mas e daí? - perguntei, curiosa.
- Filha, o Vitor fez uma escolha ruim, mas não é por isso que ele seja uma pessoa ruim e aquela jovem fez uma boa escolha para ela, mas não é por isso que ela seja uma pessoa boa. - ele explicou, meus olhos recaíram sobre sua face serena.
- Como o senhor sabe de mim e do Vitor? - perguntei.
Afinal quem poderia ter contado sobre isso? A Aline não podia ser com certeza.
- O Vitor me contou no natal e ontem me contou que tinham brigado. Sabe minha filha, gosto muito daquele rapaz e sei que ele gosta de verdade de você. Dá para ver e dá para ver que você também gosta dele. Agora você tem que saber se deve ou não dar prosseguimento a isso, porque amar não significa ser 100% feliz. Quase ninguém tem o privilegio de amar alguem cabe a você decidir se deve ou não continuar. Mas saiba que isso é um presente de Deus, agradeça sempre. Eu sorri, não concordei muito com as palavras ditas por aquele senhor, mas sempre respeitei a opinião dos mais velhos, aliás de qualquer pessoa.
Voltei para casa depois, meus pensamentos estavam muito piores, as imagens mais fortes, as palavras duras que eu escutara da Aline tinham sido decoradas e se repetiam. A música em meus ouvidos não me ajudava, houve um tempo em que minha fuga se baseava na música e isso o Vitor também me roubara. Passei os olhos pelo display do celular, dez e alguma coisa. A hora havia voado e eu nem percebi, estava tão aérea e dispersa que mal senti o tempo correr. Pus água para ferver enquanto vasculhava na dispensa um daqueles macarrões instantâneos, meu almoço seria aquilo mesmo. Além de eu ser uma péssima cozinheira, não estava com vontade de fazer comida. O telefone tocou antes da água entrar no ponto de ebulição:
- Alô?! - atendi.
- Amiga, olha vou passar depois do almoço. - era a Dani, pelo seu tom parecia mais animada em relação aos dias anteriores. Fazia tempo que não ouvia essa voz tão feliz da minha amiga, aquilo me deixou menos triste.
- Ta bom amiga. - concordei.
Não conversamos por muito tempo, voltei a fazer meu almoço. Acabei deixando o macarrão instatâneo queimar, devo ser uma das piores cozinheiras do mundo. Quem é que deixa o miojo queimar? Tive que jogar metade fora e a outra metade guardei na geladeira, meu estômago estava embrulhado de mais para conseguir comer o que quer que fosse, as palavras da Aline ainda soavam em meu pensamento como se eu estivesse escutando-as naquele exato momento.
Fico imaginando o Vitor tocando nela, beijando seus lábios... Que nojo.
Queria poder acordar e não sentir mais nada, como se tudo não tivesse passado de um sonho. Mas essa sensação ruim persiste, como se eu fosse alguém pela metade.
Liguei para o Bernardo, talvez ele pudesse me ajudar. Ele é o tipo de pessoa que esta sempre de bem com a vida, sorrindo, brincando, uma das melhores pessoas que eu já conheci, mas para se ter algo além de uma boa amizade não se encaixa. Quase não fala sério.
- Alô?! - eu disse, assim que escutei alguém atender do outro lado da linha
- Lu! Oi tudo bom? - ele já reconhece minha voz.
- Tudo sim e a festa? - tentei forçar um tom de voz animado ao me referir a esse assunto.
- Ta de pé, já mandei a lista de nomes pra lá. Vamos ficar no camarote do terceiro piso. Lá só ficam os sócios da boate! - ele me disse.
A algum tempo atrás nunca me imaginaria ligando para o Bernardo e hoje em dia quem diria, isso tinha se tornado tão corriqueiro.
- O Pedro vai! Ele ficou felizão quando contei que você iria...
Bernardo continuou, ele e o Pedro eram amigos de infância como eu e a Dani.
Na época de colégio os dois conheciam todo mundo. O Pedro era uma das exceções dos meninos que não eram apaixonados nem pela Bia ou pela Dani, por causa disso as outras meninas caiam em cima. Quando o entrevistei conversamos numa sorveteria perto da escola, ele me pediu um sorvete de brigadeiro e fomos sentar nos fundos para que ninguém nos atrapalhasse:
- E então isso é um encontro? - ele brincou.
- Não, isso não é um encontro. É uma entrevista, foi você que preferiu aqui à minha sala. - eu respondi, sorrindo. Embora fosse apaixonada pelo Bernardo não podia deixar de reparar na fisionomia do Pedro, ele era lindo.
- Claro! De cinco em cinco minutos aparece alguém. Vou te contar, como você consegue trabalhar num lugar daqueles?
- Eu faço as perguntas ok?
- Tudo bem amor! Faça. - ele me respondeu piscando o olho direito enquanto eu pegava meu caderno com as perguntas formuladas no dia anterior.
- Com quantos anos você começou a jogar?
- Bom... Desde os meus sete, eu jogava no time mirim do colégio que estudei até a oitava série, depois consegui uma bolsa para vir estudar aqui. Enquanto eu conseguir manter minhas notas e fazer gols continuo tendo direito a bolsa.
Eu anotei cada palavra e prossegui com minhas perguntas, aquela foi uma das melhores reportagens que eu já fizera, o jornal semanal do colégio esgotou-se no primeiro dia.
Liguei para o Bernardo, talvez ele pudesse me ajudar. Ele é o tipo de pessoa que esta sempre de bem com a vida, sorrindo, brincando, uma das melhores pessoas que eu já conheci, mas para se ter algo além de uma boa amizade não se encaixa. Quase não fala sério.
- Alô?! - eu disse, assim que escutei alguém atender do outro lado da linha
- Lu! Oi tudo bom? - ele já reconhece minha voz.
- Tudo sim e a festa? - tentei forçar um tom de voz animado ao me referir a esse assunto.
- Ta de pé, já mandei a lista de nomes pra lá. Vamos ficar no camarote do terceiro piso. Lá só ficam os sócios da boate! - ele me disse.
A algum tempo atrás nunca me imaginaria ligando para o Bernardo e hoje em dia quem diria, isso tinha se tornado tão corriqueiro.
- O Pedro vai! Ele ficou felizão quando contei que você iria...
Bernardo continuou, ele e o Pedro eram amigos de infância como eu e a Dani.
Na época de colégio os dois conheciam todo mundo. O Pedro era uma das exceções dos meninos que não eram apaixonados nem pela Bia ou pela Dani, por causa disso as outras meninas caiam em cima. Quando o entrevistei conversamos numa sorveteria perto da escola, ele me pediu um sorvete de brigadeiro e fomos sentar nos fundos para que ninguém nos atrapalhasse:
- E então isso é um encontro? - ele brincou.
- Não, isso não é um encontro. É uma entrevista, foi você que preferiu aqui à minha sala. - eu respondi, sorrindo. Embora fosse apaixonada pelo Bernardo não podia deixar de reparar na fisionomia do Pedro, ele era lindo.
- Claro! De cinco em cinco minutos aparece alguém. Vou te contar, como você consegue trabalhar num lugar daqueles?
- Eu faço as perguntas ok?
- Tudo bem amor! Faça. - ele me respondeu piscando o olho direito enquanto eu pegava meu caderno com as perguntas formuladas no dia anterior.
- Com quantos anos você começou a jogar?
- Bom... Desde os meus sete, eu jogava no time mirim do colégio que estudei até a oitava série, depois consegui uma bolsa para vir estudar aqui. Enquanto eu conseguir manter minhas notas e fazer gols continuo tendo direito a bolsa.
Eu anotei cada palavra e prossegui com minhas perguntas, aquela foi uma das melhores reportagens que eu já fizera, o jornal semanal do colégio esgotou-se no primeiro dia.
Pensar no Pedro me ajudou a não pensar no Vitor, por algum tempo. Depois a imagem e todas as sensações ruins voltaram ainda mais fortes, sempre mais fortes. Isso tudo só foi amenizar quando eu e a Dani chegamos ao shopping, nunca curti muito esse tipo de programa, mas naquela hora estava sendo a minha melhor arma contra tudo que eu estava se passando dentro da minha cabeça:
- Amiga, olha só nada de roupa de menina! Quero que você vá vestida de mulher! Deixa que eu escolho o que você vai usar. Os meninos vão babar! - a Dani começou, enquanto seus olhos brilhavam diante de vitrines com roupas de diversos estilos - Olha esse vestido! Para T-U-D-O, amiga da um look! - a Dani disse enquanto apreciava um vestido preto, de decote na frente e babadinhos bem básicos em baixo.
- E dai? - perguntei.
- Como e dai? Vamos entrar para você experimentar. - ela me disse, me puxando para dentro da loja sem antes me deixar falar que nem morta poria um vestido de decote em "V".
- Posso ajudá-las?- perguntou a vendedora com um enorme sorriso acolhedor, daqueles que dão pena de negar qualquer coisa.
- A minha amiga quer ver aquele vestido ali. - a Dani informou.
- Daniele ta louca? Eu não vou usar um troço daqueles, não faz meu estilo. - avisei em voz baixa, mas ela me ignorou completamente e a vendedora já tinha sumido para pegar o modelo.
- Amiga deixa de ser boba, mostra o que você tem de bom aí! Sem contar que o vestido não é tão curto assim, vai bater um pouquinho acima do seu joelho. Na medida certa.
- Ta, só vou experimentar. - repondi.
Devo admitir que a Dani tem um ótimo gosto para roupas, parece que ela já sabe como vai ficar a pessoa vestida sem antes mesmo da pessoa estar com aquela determinada roupa. O vestido ficou muito bom em mim, o decote ficou um pouco acima dos meus seios, afinou minha cintura deixando-a mais bonita, tinha ficado legal mesmo:
- Uau amiga! Ta tão sexy! - a Dani brincou enquanto eu me olhava no espelho.
- Ficou bom mesmo! - a vendedora concordou - Talita, Vanessa... venham ver como ela ficou com o vestido! - quando dei por mim quase todas as vendedoras da loja estavam ali de frente a mim no provador me observando.
- Agora você tem que colocar uma sandalinha de salto, vai ficar parecendo uma modelo! - disse uma mulher que eu não sabia o nome.
- A loja aqui da frente tem umas sandálias lindas e bem em conta. - recomendou a outra.
Como o indicado compramos a sandália na tal loja, 7 cm de salto, uns cristaizinhos na frente, branca, eu adorei! A Dani comprou pra ela uma sandália prata e um vestido tomara que caia larguinho, ela cismou que se vestisse algo justo todos iriam reparar na barriga dela.
- Aí amiga! O dia foi perfeito!- a Dani comentou enquanto tomávamos sorvete na praça de alimentação, para fechar o dia.
- Foi bom mesmo. Fazia tempo que não te via tão animada - concordei.
- É, resolvi por a bola para frente. Não dá para ficar me lamentando pelo o que aconteceu, agente não vive de passado.
A Dani tinha razão, agente não vive de passado e seguindo o que ela disse resolvi por a minha bola pra frente também. Na boate vai ter um monte de rapaz bonito, os meus amigos vão estar lá, então decidi parar de ficar me martirizando com as coisas que aconteceram e trazer a velha Maria Luiza de volta.
Eu preciso disso.
Fim da parte IV


Só quero ver a festa!!!
ResponderExcluirquero mais !! continua logo !!
ResponderExcluirdê a festa qe nunk chega !
ResponderExcluirposta mais PelamordeDeus
postaaaaa maiis !!
ResponderExcluirPosta mais!
ResponderExcluirChorei com as palavras do Seu Jorge =/
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