quarta-feira, janeiro 27, 2010

Cap XXII - Um novo Mundo

Observei minha cidade ficar pequena até a um nível minímo e não mais visivel, as nuvens estavam dispersas e o céu num tom azul escuro divino a impressão era de que se o avião subisse mais um pouco eu poderia ver Deus e seus anjos, acho que se eu o visse pediria para impedir que tudo tivesse acontecido, não que eu me arrependo do que aconteceu entre mim e o Vitor, mas as consequências estavam pesadas demais.
Me acomodei na acolchoada cadeira de n° 40 e pairei meus pensamentos numa insegurança incrivelmente estranha, e aos poucos a ideía de que ele poderia me esquecer começava a tomar força na minha alma. E a Aline? Ela agora vai ter o território livre para investir no meu Vitor. E também tinha a Amanda ela poderia muito bem resolver querer reatar o namoro e nada a impediria de não conseguir reconquistar o Vitor, eles foram ex-namorados e como diz aquela frase popular : " Ex sempre tem vez".
Balancei a cabeça para espantar outros pensamentos derivados, procurei me concentrar em como estaria minha avó depois tempo sem vê-la. Eu tinha sete anos quando a visitei pela última vez, quase não mais lembrava de seu rosto, ela ainda não tinha se mudado para a mansão mais cara da cidade nem muito menos se tornado uma mulher de negócios bem sucedida na época ela havia acabado de se tornar uma viúva triste e cheia de saudades do marido falecido.

" - Você nunca veio me visitar, nem muito menos quis saber do seu pai quando adoeceu e agora vem me pedir desculpas por ter sido tão ausente? Sinto muito, mas isso é algo que eu não posso desculpar." - lembro quando escutei essa frase dita por minha avó para meu pai, os dois conversavam no quarto dela eu analisava a cena pela fresta da porta pouco antes de ser pega pelo meu tio Ramon, um homem de pouco mais de 40 anos que fora criado como se fosse filho legítimo, aliás acho que meus avós sempre o preferiram à meu pai.
Pouca coisa me lembro daquele dia, eu era muito nova e não tinha noção exata de tudo que se desenrolava a minha frente, mas sei que no dia a relação entre meu pai e a mãe dele se estreitou ainda mais e desde então os dois não se falam, ele não liga para desejar feliz anivesário, nem natal e muito menos ano novo eu e minha mãe sim, mas não ele.

A cidade para onde eu estava indo se chamava Vale das Laranjeiras, uma pequena cidade do interior com alma de cidade grande, ali perto lembro de uma praia, aliás uma das mais belas que já vi na vida, bastante conhecida pelo Lual de Sexta à noite, onde todos os jovens da região se encontravam, também tem um pequeno cinema e um hospital que é a referência no tratamento de câncer, lembro também da praça ao qual a cidade foi feita envolta, um lugar perfeito para caminhadas e pique-niques.


Percebi o quão calmo era a vida naquela altitude, as estrelas estavam bem perto de mim e lá embaixo as luzes da cidade tinham se tornado imperceptíveis. Sem poluição, sem correria, sem medos, sem pais, sem o Vitor... E mais uma vez meus pensamentos me levaram causando-me um mal estar profundo e triste, encostei minha cabeça na poltrona e pensei na vez em que dormi ao seu lado, quando ouvi de seus lábios a frase " Eu te amo". Aquilo arrepiou meus pêlos do braço e trouxe uma saudade infindável. O engraçado era que eu estivera com ele a poucas horas, mas a certeza de que não o veria por um bom tempo me deixava apenas a saudade.


O relógio apitou às 01:00 da madrugada exatamente quando a aeromoça avisou que estariámos pousando, lembrei de alguns filmes de tragédias aéreas assim que senti as rodas do avião tocarem o solo.
O clima estava frio, aliás frio de mais para uma pessoa que vem de uma cidade tão quente quanto a que eu venho, meus dedos da mão e meu nariz levaram apenas dois segundos para esfriarem de forma absurda e a certeza de que eu iria ficar gripada se confirmou após cinco segundos de caminhada em que um espirro inesperado chamou a atenção de outras pessoas

Era um aeroporto pequeno, as pessoas ao meu redor pareciam não ter pressa, peguei minha mala e avistei um senhor de cabelos grisalhos, trajando um paletó preto com uma plaquinha feita de folha oficio escrita: Maria Luiza , neta de Maria da Conceição Amaral.
Fiquei observando aquele senhor enquanto ele parecia tentar adivinhar quem das meninas que cruzavam por ele pudesse ser eu, caminhei em passos curtos até ele e num sorriso apagado fiz o primeiro contato:
- Oi.
Aquele homem me encarou e demostrou surpresa ao me ver, percebi que era péssimo em disfarces:
- Maria Luiza?
- Aham, tudo bom? - perguntei, estendendo a mão direita.
- Tudo, eu sou o motorista da sua avó. Ela pediu que eu viesse te buscar, me chamo Davi - ele disse apertando a minha mão. - E onde estão suas malas? - aquele senhor abriu o maior dos sorrisos e de forma espontânea me indagou.
- Aqui, eu só trouxe essa aqui. - respondi ele demonstrou espanto e fez um comentário inocente:
- A sua avó vai se assustar com a senhorita. - eu sorri e fomos andando até o carro.

Um veículo preto de vidros fumê que impossibilitavam qualquer pessoa, inclusive o super-homem, de ver o que poderia estar acontecendo no interior daquele carro.
Durante o trajeto reparei que muita coisa tinha mudado na cidade, agora um shopping enorme enfeitava com luzes coloridas o centro, a pracinha ainda estava lá com cercas de enfeite e bancos novos, tinha uma boate que se parecia com a Party Night, cheio de jovens bem vestidos e bonitos, barzinhos aos montes com música ao vivo, carros velozes e caros.
- A última vez que vim aqui tinha sete anos. - comentei enquanto apreciava aquela vida noturna.
- A cidade mudou bastante, não? - o motorista me perguntou.
- Verdade, tem algum CD para pôr? - perguntei.
- Tem a coleção de CDs da sua avó, todos apreciam o gosto dela, provavelmente a senhoria irá gostar. - ele respondeu enquanto punha um CD de capa verde no rádio. - O controle está do lado da senhorita.

Escutei a voz de uma mulher que provavelmente deveria ter algum problema nas cordas vocais dizer alguma palavra indefinida em algum idioma indeterminado seguida de violinos e pianos, troquei a música e a mesma mulher agora cantava com um homem de uma voz tão fina quanto a dela:
- Nossa Davi, que músicas são essas? - perguntei.
- É a coleção de músicas clássicas da sua avó, todos gostam. - ele respondeu e eu permaneci quieta, o silêncio era melhor que aquelas vozes e instrumentos estranhos.

O resto do caminho fomos calados, eu não estava muito interessada em falar e muito menos o senhor Davi em perguntar.
Quando o veículo adentrou uma rua aberta de mansões enormes em ambos os lados, uma festa no terraço de uma das casas reunia carros tão lindos quanto aquele em que eu estava dentro, as meninas pareciam verdadeiras modelos os rapazes estavam a altura, parecia um novo mundo composto de seres estranhos e diferentes daqueles com quem eu estava acostumada.
O motorista parou de frente a um portão de ferro, deu uma buzinada e os portões se abriram para um jardim enorme, um pouco mais a frente um chafariz de anjo e por fim dois degraus que davam para a mansão em estilo grego-romano fiquei observando toda aquela arquitetura rica de maneira admirada:
- Sua avó esta cobrindo um evento que esta acontecendo na cidade, provavelmente vocês só irão se ver amanhã. - o senhor Davi me avisou.

Entrei no hall que dava para as escadas do segundo andar, uma senhora com trajes de dormir havia acabado de entrar para me receber:
- Olá minha jovem!
- Oi. - respondi meia envergonhada.
- Eu sou a Conceição, cozinheira da casa. Seja bem-vinda minha querida. - aquela senhora tinha os cabelos brancos, os olhos azuis e um sorriso acolhedor.
- Maria Luiza. - apertei sua mão e beijei seu rosto.
- Temos dezesseis quartos, o seu é o de frente para o jardim. Vamos levarei a senhorita até lá. - disse Davi eu o segui logo atrás após me despedir daquela simpática cozinheira.

O quarto já estava todo mobiliado, com um notebook em cima da mesinha de anotações, a cama com um edredom estampado com corações e frases de eu te amo em vários idiomas aquilo me irritou, mas não deixei transparecer, me joguei na cama e encarei o teto daquele quarto que era maior que toda a minha casa:
- Vitor, já sinto sua falta... - murmurei deixando escapar pela minha boca o que ocupava minha mente.
-
Querida Dani,
Sei que esta muito chateada comigo, não tivemos tempo de nos despedir... Aliás para ser bem sincera sei que você não quis se despedir de mim e para ser mais um pouquinho sincera acho que você está sendo muito cabeça dura, mimada e irritante. Será que você não percebe que NÃO daria para você ter essa criança sozinha?
Acho que não irei me adaptar a nova vida, às novas pessoas, a minha avó e a um monte de outras coisas e pessoas que ainda não faço idéia.
O motorista da minha avó disse que ela vai se assustar comigo, bom eu espero que não. querendo passar despercebida, quando fizer 18 anos vou embora, vou sumir do mapa a minha vontade era de levar o seu irmão comigo, mas ele ainda estará fazendo a faculdade e eu não pretendo atrapalhar a vida dele, até porque acho que já atrapalhei a vida de muita gente aí ?
Queria você aqui comigo agora, te amo de mais e espero que responda esse meu e-mail pelo menos através de ofensas, mas eu preciso saber que você esta aí lendo meus medos e desabafos.
Te amo amiga/irmã
Maria Luiza
_
Escutei alguns gritos vindo de um dos outros quartos, uma voz feminina insultava aquela senhora simpática que me recebera de modo doce a poucas horas atrás, o relógio marcava quatro e meia da manhã, um feixe de luz vindo do corredor passava pela fresta da porta do quarto entre-aberta e banhava os meus pés eu me levatei da mesa do computador e caminhei em passos curtos até a porta os gritos tornaram-se mais audíveis:
- Você esta surda ou o que? Eu disse para me trazer chá e a senhora trás café?! eu não bebo café! - pus o rosto do lado de fora e a duas portas da minha avistei a Lorena que gritava com a simpática cozinheira.
Ela calou-se aparentemente assustada com a minha presença inesperada, eu paralisei.

9 comentários:

  1. uou !!!! o ki ela ta fazenod ai????


    poooooosta maaaaaaaaaaiis >.< !!!!!

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  2. Muito muito bom....quero mais...posta logoo.

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  3. poooosta maaaais
    se naum eu vou ter um treco !!!!

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  4. Ain..pooostaaaaa..num aguento esperar mais..
    postaaaaaaaaaa...
    Plis ?!!!!

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  5. já é domingo e cê num postou

    posta mais logooo

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  6. o blog é muito bom, mas você demora muito pra postar.. e todas ficam super anciosas.. haha

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  7. linda história
    quero mais *-*

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