segunda-feira, janeiro 11, 2010

Cap XV - A Festa ( Parte I )

Como pude deixar as coisas saírem do meu controle? Eu sabia esse sentimento todo que me invade é forte demais, foge da minha capacidade de retê-lo e escapa por entre meus dedos. Sabe aquela sensação de que o que você esta fazendo é errado, mas você não consegue não fazer? Então, é isso que sinto toda a vez que estou perto do Vitor. Ele me tira o chão, não consigo mais ver graça em nenhum outro rapaz, tô com medo de ficar louca, louca de amor, de tristeza. Fico imaginando o que posso fazer se não puder mais vê-lo, tocá-lo, sentir o cheiro o toque das mãos...
Ontem à noite orei, faz um tempão que não faço isso, desde meus 7 anos, acho que tinha perdido minha fé, tinha dúvidas quando a existência de Deus, mas estou tão desesperada que preciso me apegar a idéia de uma força maior que possa vir a intervir e para falar a verdade até acredito que Ele deva existir agora, não é humano um sentimento igual ao que eu sinto, vai muito além da carne é transcendental.
Saber que a Aline sabe de nós dois e assustador, a qualquer momento ela pode falar com o meu pai, ele vai vir me perguntar se é verdade e eu não sei mentir, vou acabar dizendo que sim.
- Tem certeza? - o Vitor me perguntou hoje à tarde, conversávamos no meu quarto deitados na minha cama.
- Tenho, a Dani confirmou. - respondi, enquanto alisava seus belos cabelos negros e lisos.
- Ninguém vai acreditar nela logo de cara, vão querer confirmar com você. - ele supôs, estava muito concentrado pensando em possibilidades que poderiam acontecer.
- Se vierem confirmar comigo vou acabar entregando o jogo, sou péssima com mentiras.
- Eu sei.
- Merda. - retruquei, ele demostrou surpresa com meu palavriado. Não costumo chingar.
- Posso falar com ela.
- Ta doido? Você e ela? Juntos? Sozinhos? É exatamente isso que ela quer não me leve a mal amor, mas isso nem por cima do meu cadáver. Não quero você com ela, nunca.
- Ta, tudo bem. Vou pensar em outra coisa. - ele continuou concentrado em seus pensamentos.
- Ta. - respondi.
- Você ta muito tensa, calma amor. Não vai acontecer nada, qualquer coisa fugimos e nos casamos em Vegas! - ele brincou, tentando me acalmar.
- Não dá, me assusta pensar que posso não te ter mais. Ficar longe de você. Eu sou muito burra mesmo, como pude perceber você só depois de 17 anos?
Ele riu e completou:
- Pior eu que te achava metida.
-Você me achava metida? Que absurdo! Logo eu com a maior pinta de nerd! - brinquei, é realmente engraçado a idéia que fazíamos um do outro antes de acontecer tudo. - Tudo bem, só desculpo porque pensava que você fosse gay!
- Eu gay? Ta brincando né? - ele riu.
- Ué você me achava metida.
- Ah mas você era sim, as meninas amiguinhas da Dani todas me davam mole e você com aquela cara de nojo.
- E olha só com quem você ta! - repondi, beijando-lhe o canto dos lábios.
- É verdade.
- Mas agora é sério Vitor, agente tem que fazer alguma coisa em relação à Aline. Para ela contra pra os meus pais sobre nós não custa nada.
- Relaxa... Vou dar um jeito. Em quanto isso vamos aproveitar um pouco o momento. Ficar assim com você ta cada vez mais difícil. - ele disse, me abraçando.
Por um lado é bom estar com o Vitor, mas por outro não. Ele me faz esquecer dos problemas que nos fazem esconder o que temos. É muito ruim estar com quem você gosta e ter que fingir que não esta nem aí na presença de outras pessoas, ver outras meninas darem em cima dele e fingir que ta tudo bem. Isso é torturante demais. Para ele deve ser mais fácil, afinal nenhum garoto dá em cima de mim da forma como as meninas dão em cima dele, só tinha o Bernardo, mas deixei tudo claro entre nós um dia depois do natal, resolvemos manter a amizade, ele até é bem legal como amigo, engraçado, de vez em quando me liga pra gente conversar um pouco.
- Vou comemorar meus 18 anos na boate Party Night, quero que vá. Vou deixar seu nome na porta. - foi o convite que o Bernardo me fez da última vez que me ligara, eu disse que iria conversar com meus pais, engraçado é que até o ano passado eu sempre fui doida para que o Bernardo me convidasse para essas festas de aniversário dele e ele nunca me chamava, acho que quase não reparava em mim, na verdade eu só fui me tornar mais conhecida no colégio quando entrevistei o Pedro Ribeiro, ele me apresentou para um montão de amigos entre eles o Bernardo. Foi aí que nos aproximamos, mas essa minha popularidade relâmpago começou um mês e meio antes das aulas terminarem. Então não serviu de muita coisa, se bem que eu não me importava muito em conhecer meia dúzia de pessoas, além dos meus colegas de turma, e conhecer a escola toda.
A idéia da festa até me soava bem, eu precisava mesmo de um tempo pra sair. Queria dançar um pouco, rever os amigos antigos, saber como o Pedro estava a última notícia que tive dele foi que um clube de futebol o chamou para jogar.
- Eu vou com certeza! É a última festa que vou poder ir antes da minha barriga crescer e eu virar um balão ambulante. - a Dani me disse assim que lhe contei sobre o aniversário do Bernardo.
- Ótimo, vou falar com os meus pais. Espero que eles deixem. - repondi perante tanta animação da minha amiga.
- Vai chamar o Vitor?
- Não, teu irmão ta muito auto confiante em relação à mim.
A Dani riu, conhecia o irmão melhor que eu:
- Ele é assim mesmo, o problema dele é que ele é confiante de mais.
- Percebi. - respondi.
Fim da parte I

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