Senti meu coração palpitar e o estômago revirar ao ouvir a última frase dita por meu pai, de algum modo eu sabia que aquilo iria acontecer e tive que conter o instinto quase que incontrolável de sair correndo daquela casa e só parar quando eu tivesse a certeza de estar nos braços do meu Vitor, não voltei atrás, nem muito menos diminui o ritmos das minhas passadas até o quarto.
Bati a porta na intenção de descontar toda a raiva que estava sentindo, mas ninguém se importou com a minha explosão de fúria. Abri a mala de viagens azul e a pus em cima da cama, a última vez que eu havia usado fora num passeio da escola quando tinha dezesseis anos fiquei dois dias num sítio trancada no meu alojamento tentando entender o motivo que me fizera parar num lugar onde só haviam pessoas populares e desmioladas.
Esperei ter a certeza de que meus pais tinham saído para ir trabalhar e peguei meu telefone na intenção de ligar para o Vitor, mas antes de discar os números ele já tocava minha campainha incessantemente, a rua já estava cheia, os vizinhos desagradáveis conversavam nos portões, a Aline fazia sua caminhada matinal acompanhada de suas amigas, o Fábio conversava algo com um casal de meia idade que morava ao lado da minha casa, porém não me importei com nenhum deles, nem muito menos com as roupas que eu trajava. Abri o portão e me joguei nos braços do Vitor de forma desesperada e perdida, fechei meus olhos e nos beijamos na frente de todas aquelas pessoas agora não havia razões para esconder o que quer que fosse e embora olhares curiosíssimos e comentários desnecessários me condenassem eu o beijei com mais urgência e aquilo causou mais falatórios dessa vez nenhum pouco disfarçados:
- Me desculpa, me desculpa... Não sabia o que fazer! - eu murmurei beijando-lhe o rosto em diversas regiões enquanto lágrimas umedeciam minha face.
- Tudo bem amor, vamos entrar temos que conversar. - ele respondeu, tentando manter-se firme.
Eu o guiei até meu quarto onde poderíamos conversar melhor, tranquei a porta para ter a certeza que dessa vez não seriámos pegos.
Percebi a testa dele franzir em sinal de dúvida assim que seus olhos admiraram a mala azul jogada em cima da minha cama:
- Porque dessa mala? - ele me perguntou.
- Meus pais Vitor, aliás meu pai disse que eu vou pro Sul morar com a minha avó! Não sei mais o que fazer! - respondi, tentando ao máximo não parecer desesperada, porém eu já me encontrava chorando, de cabeça baixa,sentada na beira da cama:
- Que? - a voz dele era de quem relutava em acreditar no que fora dito.
Apenas balancei a cabeça reafirmando o que eu dissera, repetir aquelas palavras seriam praticamente impossivel. Senti seu corpo recostar sobre o meu de modo acolhedor, seus braços me envolveram e seu lábio beijou-me a testa, ele estava sentado à minha esquerda:
- Vamos fugir, sair daqui Luiza! Não sei, casar ou sei lá... Você não pode ir, não posso te deixar ir...
Neguei com a cabeça, por mais romântico que pudesse ser era inviável acontecer algo daquele tipo, eu menor de idade, ele ainda fazendo a faculdade, fazer algo sem pensar só iria atrapalhar nossas vidas, principalmente a dele.
-Você sabe que não daria certo... - eu disse e ele me abraçou como se aquilo fosse uma expressão do que se passava em seu coração eu fechei meus olhos e deixei que o cheiro dele penetrasse minha alma.
- O que vamos fazer Lu? - ele me perguntou foi a primeira vez que percebi em seus olhos o medo em relação a algo que fugia do seu controle, o meu Vitor estava desesperado, relutante... Logo ele que sempre tinha algo em mente, que sempre me acalmava, nunca temeu verdadeiramente nada agora parecia uma criança desolada. Eu pude então enxergar o menino que ele já foi um dia.
Estendi a mão e acariciei a maçã esquerda de seu rosto, e o abracei fortemente tentando fazê-lo melhorar:
- Que estranho. - ele disse num tom triste e irônico acompanhando o comentário de um leve sorriso eu me afastei um pouco e perguntei, estranhando aquela mudança:
- O que foi Vitor?
- Estou pensando, você é tão frágil, tão inocente, tão menina... E eu um homem adulto, chorando como um moleque. - ele pareceu sentir raiva de si próprio.- Olha no que eu me transformei... Você é minha perdição Luiza, minha loucura necessária, minha droga... - finalizou, com os olhos um pouco úmidos.
Eu não acrescentei nada, algo naquele comentário me machucou. Ele se referia a mim como se eu fosse nociva como sua droga particular, sua loucura - como ele mesmo havia dito.
A forma com que aquelas palavras emudeceram qualquer outro ruído fora como uma tortura lancinante e embora tenha tomado apenas alguns segundos da quantidade aterrorizante de horas que um dia pode ter, foi como se a eternidade tivesse pairado sobre meu quarto e me conduzisse a um lugar sombrio me condicionando a um negrume assustador. Minha alma gritou para que aquilo que eu tivesse escutado fosse uma alucinação, fiquei o observando sem tocá-lo esperando que ele se retratasse:
- Na verdade não sei que palavra poderia descrever o que esta se passando na minha cabeça... Eu simplesmente não consigo pensar em mim sem associar você à minha vida e isso é tão estranho, nunca senti nada igual. Eu não sei o que fazer, a minha mente foge do meu controle e me leva sempre a você. - ele admitiu, com o rosto seco e frio.
- Nunca quis fazer mal para você. - foram as únicas palavras que eu consegui reunir após aquele soco de verdades que eu acabara de ouvir.
-Você é minha doce perdição... - ele me sorriu novamente um sorriso tão triste que cortou meu coração.
Desviei o olhar para o local mais distante do quarto, levantei da cama e enfiei meu rosto dentro do armário fingindo que dobrava algumas roupas, não queria que ele visse o que fizera comigo. Eu sei que o Vitor não tinha a mínima intenção de me machucar, estava desabafando algo que seu coração gritava e por essa razão eu reuni forças para continuar ouvindo suas palavras.
- Eu te amo tanto que chega a doer.
- Vai embora Vitor, vai trabalhar... Qualquer coisa, só saia daqui. - eu pedi após alguns segundos de silêncio, eu já não aguentava mais.
Ele fez o que eu pedi sem hesitar, não fez nenhum ruído e em passos ligeiros e rápidos saiu do meu quarto, parecia que ele não estava se sentindo bem com a minha presença tão perto.
Eu me joguei na cama ao qual estava impregnada com o cheiro dele, me aninhei como sempre faço quando sinto frio e deixei as lágrimas rolarem umedecendo o travesseiro. Eu me sentia tão destruída, tão fraca que mal conseguia mover meus braços e pernas, parecia que tinha levado uma surra, nunca que imaginei que pudesse fazer tão mal ao Vitor, sempre achei que o que sentiámos um pelo outro fosse algo bom e até mesmo divino, amar num mundo cego pela maldade era de fato um presente de Deus.
"- Você é minha doce perdição." - essa frase se repetia em minha mente e cada vez pior, cada vez mais destrutiva e mortal eu estava emersa numa tristeza infindável e indescritível.
Parecia que a minha vida estava no fim e eu estava sobrando, como se minha sina fosse obrigar a minha alma a carregar aquele corpo pesado e sem muitas perspectivas. Acima de tudo eu queria o melhor para o meu Vitor, mesmo que isso pudesse me destruir, queria vê-lo bem, como sempre foi antes de eu interromper seu caminho e virar seu mundo de ponta a cabeça. Eu faria qualquer coisa para voltar no tempo, para dar um stop em tudo.
Fim da parte III


Olha eu naum gostei muiito naum poxa ele tava sendo cinsero naum vi nada no q ele disse q fizesse ela se machucar ... Ela naum entende q ele ama ela q coisa ...
ResponderExcluiras vezes ouvir a verdade doe
ResponderExcluirGente, não vamos discutir por isso.
ResponderExcluirPoxa cada um tem sua opinião e eu fico muito satisfeita em ver que há pessoas que entendem tanto o lado da Maria Luiza quanto o do Vitor.
Continuem acompanhando e comentando, mas sem desentendimento, por favor! ^^
amandoooo
ResponderExcluirmais mais
ain verdd num deveria doer :(
qero Lu e Vitor juntos.
mais mais mais
eu já disse que esse cinsero da thamara é o que doe realmente?
ResponderExcluireu não entendi o porque que a Lu ficou triste em saber o que o Vitor disse.
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