quinta-feira, dezembro 31, 2009

Cap XII - Abutres

Estou morrendo de raiva agora! Muita! Demais! Odeio todas as meninas desse lugar, um bando de abutres! Minha vontade hoje à tarde era de fuzilar todas, mas não pude, muito menos podia beijar o Vitor na frente delas. A tia Sívia não tirava os olhos de mim e dele, já tô ficando de saco cheio com isso.
Hoje na hora do almoço o tio Luís fez um churrasco e chamou uns amigos, a Dani chamou as meninas daqui da rua. O Vitor chegou depois do futebol, a empresa dele entrou de recesso de fim de ano. Não sei quem espalhou a notícia, mas todo mundo já sabe que ele e a Amanda terminaram, até eu descobri isso antes dele me dizer.
Eu, a Dani, a Fernanda, a Aline e mais duas meninas conversávamos na sala. Quando o Vitor chegou elas simplesmente esqueceram de mim e da Dani e quase que obrigaram o rapaz a se sentar na cadeira que fica ao lado do telefone. Uma das razões da Dani gostar de mim é exatamente essa, geralmente as outras meninas esquecem completamente ela quando veêm o irmão dela:
- Nossa como você ta suado "V". - disse a Aline, minha vontade era de dizer: É claro que ele ta suado idiota, afinal ele tava jogando bola.
- "V" onde é que vai passar ano novo? - continuou a Fernanda, não sei se elas sabem mas o nome do irmão da Dani é mais que uma única consoante.
- Ah não sei, meu amigo me chamou pra passar no apartamento dele lá em Copa. Da para ver os fogos de lá, sem contar que ele vai dar uma festa. - ele respondeu, uma das coisas que me irrita profundamente no Vitor é essa necessidade que ele vê de ser tão simpático com todo mundo, custava ele dizer não interessa?
- Aí que maneiro! Me leva? - pediu a outra menina ao qual eu apelidei de galinha nº 1, que raiva dela! Como ela teve coragem de pedir isso? E o idiota do Vitor respondeu:
- Poxa não sei se eu vou mesmo. - qual o problema que ele vê em dizer não?
- "V" passa aqui com a gente se você não for passar lá. Ainda mais agora que você terminou o namoro, provavelmente vai sentir falta de alguém pra ficar do seu lado na hora da virada. - eu ainda não acredito como a Aline teve tanta coragem. Enquanto isso a galinha nº 2 levantou do sofá, foi até o Vitor e mexeu no cabelo dele.
- Ta precisando cortar esse cabelo heim "V". - ele não precisa cortar o cabelo, ela estava usando uma tática de garotas: fazer um contato corporal utilizando de um artifício, no caso os belos cabelos castanhos e lisos do Vitor.
O sangue me ferveu, fechei os olhos e os abri em seguida na tentativa de me acalmar.
- Vamos almoçar meninas! - chamou o tio Luís depois de um tempinho.
Aqueles abutres ambulantes se enrroscaram no braço do Vitor e o levaram até o quintal, eu preferi ficar na minha. Meu humor variava de muito irritada para psicopata em potencial diversas vezes.
Dentre todas elas a que mais me irritava era a Aline, o maneira como ela olhava pra ele e ficava dando risinhos sensuais pra cada coisa que ele dizia. A tia Sílvia ficava olhando pra minha cara enquanto eu almoçava, tentei ao máximo não olhar para o Vitor, mas era quase que impossível, ele e as meninas estavam na mesa em frente a minha:
- Às vezes essa babação toda de ovo me irrita. - comentou a Dani em relação ao modo como as meninas paparicavam o Vitor.
- A mim também. - eu deixei escapar, sem perceber o que acabara de falar.
- O que? Te irrita? - a Dani estranhou, eu nunca me importei com o irmão dela.
- Não, quer dizer! É chato porque elas acabam se esquecendo da gente né.
- Claro. Sem contar que o Vitor nem gosta disso.
- Eu sei. - respondi. Não sei o que me deu, mas não estava percebendo o que tava falando.
- Você sabe? - perguntou a Dani. - Ta afim do meu irmão Lu? - ela continuou antes de me deixar responder qualquer coisa.
- O que? Claro que não Daniele... - respondi dando um próximo gole no refrigerante.
Depois dali fui pro quarto da Dani ver televisão, não ia conseguir ficar mais um minuto naquele lugar sem voar no pescoço daqueles abutres ambulantes.
-Desculpa, eu não pude evitar. - disse o Vitor, algum tempo depois. Abrindo a porta do quarto da Dani.
- Fecha a porta se não o ar vai sair. - eu disse, com os olhos fixos no programa de televisão que contava do dia-a-dia de um cachorrinho que teve as patas da frente amputadas.
Ele entrou no quarto e sentou-se na beira da cama:
- Cadê as suas fãs? - perguntei, querendo implicar.
- Você sabe que elas não querem me dizer nada.
- Vitor eu já tô ficando de saco cheio disso. Na boa! Não agüento mais ter que ficar fingindo que não tô nem aí pra você, ou ter que ficar me encontrando às escondidas contigo, ou ter que ficar suportando aquelas garotas te dando mole. Isso tudo é um saco! Eu quero estar com você na frente de todo mundo! De preferência pendurar uma plaquinha no seu pescoço escrito: Propriedade da Maria Luiza!
- Ué então vamos lá em baixo. Se quiser te dou um beijo na frente de todo mundo. Tirando a parte da plaquinha, podemos fazer tudo que você quer se tornar realidade. - ele disse de maneira calma, me enchendo de tranquilidade.
- Sabe que não podemos. Você conhece meu pai, seu pai, nossas mães.
- E você também, mas, sinceramente, eu não me importo. Só quero estar com você sempre que eu quiser.
Eu sorri, triste. Embora o que estou começando a sentir pelo Vitor seja maior que eu mesma, meu medo é de meus pais irem contra. O que certamente vão, dentre os quatro a tia Sílvia é a mais liberal e se ela está contra nosso relacionamento imagine os outros. De certo meu pai vai me mandar morar com a minha vó lá no Sul, uma vez que nós brigamos feio ele me disse que da próxima vez que eu o decepcionasse ele me mandaria pra lá para reavaliar meus feitos. Isso até hoje me assusta, imaginar que posso ficar sem o meu Vitor me mata, essa é uma das razões que me obriga a manter-nos em segredo.
- Olha só vamos dar um jeito nisso. Não sei como, mas vamos. - ele me assegurou enquanto me abraçava forte e mais uma vez acreditei fielmente nas palavras dele.
Conversamos por pouco tempo a tia Sílvia subiu para ver onde estávamos, ele foi pro quarto dele e eu continuei assistindo televisão.

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