terça-feira, dezembro 29, 2009

Cap XI - Chuva

O Vitor veio aqui em casa hoje, estava chovendo muito quando ele tocou a campainha. Meu pai estava no trabalho e minha mãe na casa da mãe dela que fica a umas duas horas daqui. Ele chegou do trabalho e veio pra cá direto, a tia Sílvia esta fazendo marcação cerrada pra gente não se ver, coitado estava encharcado quando o recebi em minha cozinha, servi um chocolate que tinha acabado de fazer:
- Cara essa chuva me pegou no meio do caminho. -ele comentou.
- Tô vendo. - eu respondi, com um leve sorriso esboçado nos lábios.
- Mas eu precisava vir te ver. - ele disse, enquanto desabotoava o blusão branco que estava. - Tem problema? - ele me perguntou em relação a tirar a camisa.
- Tem não. - eu disse, enquanto tentava disfarçar o modo como meus olhos involuntariamente percorriam aqueles ombros, o toráx...
- Minha mãe me disse que falou com você.
- É, falou. Ela disse que você aceitou se afastar de mim. - eu disse, querendo saber da própria boca dele se aquilo era verdade, afinal porque se fosse ele não estava cumprindo o que dissera.
- Tive que dizer isso pra ela não contar pros seus pais o que viu. Para mim não tem problema nenhum se eles soubessem, mas ficaria uma situação meia chata entre nós e nossas famílias.
- Eu sei, até porque acho que ninguém nunca imaginou isso. - eu disse, sentada em uma ponta da mesa da cozinha e ele da outra.
- É. - ele concordou enquanto dava o próximo gole no chocolate.
Ficamos em silêncio por uns vinte minutos, mas mesmo nessa condição o clima estava bom eu gosto de olhá-lo, enquanto ele faz coisas tão normais, como beber um chocolate.
- Ta muito longe de mim. - ele me disse.
Eu sorri:
- Vamos pro meu quarto então. - eu disse, juro que foi sem segundas intenções , mas era o melhor lugar da casa onde poderíamos ficar mais próximos.
- Tudo bem, mas não venha abusar de mim. - ele brincou.
Deitamos na minha cama, os dois de frente para o teto. Ele segurava minha mão e juntos escutávamos o barulho da chuva lá fora:
- E então o que minha mãe te disse?
- Umas coisas, acho que ela não mentiu. A madrinha ta meio assustada ainda com o que viu.
- Meio? Ta totalmente, aposto que falou de sexo com você.
Eu sorri meia sem graça, nunca tinha conversado com nenhum menino sobre isso antes. Mas ele agiu com tanta naturalidade que tentei fingir que isso era um assunto tão corriqueiro pra mim quanto era pra ele.
- Aham. - eu concordei apenas, tentei usar o mínimo de palavras possíveis para não denunciar o meu desconforto perante tal assunto.
-Minha mãe ta pensando que eu sou o tarado do condomínio. - ele disse, rindo do próprio comentário. - Ela me perguntou com quantas amigas da minha irmã eu já fiquei, se usei preservativo...
- E com quantas você já ficou? - eu perguntei, não consegui esconder aquela ponta de ciúmes que brotou com aquela última frase.
Ele sorriu, pôs minha mão a qual ele segurava acima de seu umbigo. Aquilo me fez arrepiar, enquanto ele continuava a acaricia-la.
- Você foi a primeira amor, as amiguinhas da Dani são muito infantis. Não me interessam.
- E a Amanda? - tive que perguntar, afinal eu não quero ser a outra. Se ele quer ter alguma coisa comigo que seja só comigo e ponto final.
Ele pigarreou, se ajeitou na cama e segurou minha mão mais forte:
- Me precipitei ao voltar com ela, mas estava com tanta raiva de você e daquele molequinho que você beijou no dia do baile que não quis pensar. Eu sei que foi meio infantil isso. - ele respondeu.
-Ainda bem que você sabe. - eu disse. Ele sorriu.
Ele virou de bruços para o meu lado eu continuei virada para o teto:
- Isso não tem como dar certo. Quero dizer, meus pais, seus pais, nunca nos aceitariam juntos.
-Eu não me importo. Sei que é arriscado, mas me sinto de uma forma indescritível quando estou contigo.
Ele me abraçou, eu fechei os olhos para aproveitar mais aquele momento. Me senti mais segura, ele me beijou devagar, mas eu não quis dar prosseguimento, estávamos deitados na minha cama era melhor não continuar com algo que provavelmente fosse ficar mais intenso:
- Me desculpa. - ele pediu, quando percebeu que o empurrei levemente.
- Tudo bem é que depois das coisas que minha madrinha me falou, sei lá, me assustei um pouco.
- Lu, eu nunca vou fazer algo que você não queira. Eu te respeito muito, não vou mentir, eu realmente sinto vontades quando te beijo e te sinto mais perto, mas minha maior necessidade é estar com você assim do jeito que estamos hoje, conversando, um perto do outro. - ele me disse.
Passamos a tarde conversando, ele teve que ir embora pois a hora do meu pai chegar do trabalho já se aproximava, mas eu não queria. Ele me deu um leve beijo para se despedir e foi embora debaixo da chuva que agora já estava mais fina.

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