quinta-feira, março 04, 2010

Cap XXX - Casamento (Parte III)

Pus um pé e depois o outro, não havia mais passos a serem dados, mais caminhos a serem traçados eu estava realmente disposta a dar um fim em tudo que me torturava. Poderia ser, aliás era sim uma tentativa covarde de fuga, mentalizei o meu Vitor e quase que pude sentir seu cheiro próximo a mim:
- Luiza... Como não consigo te esquecer? - ouvi perfeitamente a voz do meu Vitor e dei alguns passos para trás procurando involuntariamente por ele mesmo sabendo que a certeza dele não estar lá era evidente, as gotas d'agua em minha pele se intensificaram quando voltei meu corpo diante do mar furioso que batia nas pedras logo abaixo.
Equilibrei meu corpo com um pé tocando o ar e outro a terra, levantei os braços como se estivesse abraçando o que quer que fosse e fechei novamente os meu olhos:
- Luiza! - ouvi um grito que fez meu pé esquerdo voltar a terra desligando-me de tudo que eu pudesse pensar naquele instante, voltei meu rosto para trás e a poucos metros de mim estava a Nanda e o Gabriel completamente assustados com a cena que presenciavam:
- O que você esta fazendo? - a minha amiga perguntou, sem dar qualquer passo em minha direção.
Balancei a cabeça negativamente como se quisesse espantar um pensamento ruim e fiz força para dizer o que por dentro gritava:
- Ta difícil... Ta dificil ficar sem ele e fingir que esta tudo bem. Eu simplismente não estu conseguindo... - eu parecia tão desesperada que pude perceber o olhar perdido daquelas duas pessoas a minha frente.
- Luiza me desculpa, eu não pensei que gostasse tanto dele. Se pudesse voltar atrás e mudar tudo eu faria sem hesitar. - o Gabriel disse, talvés fosse isso que ele queria me dizer a poucas horas atrás, mas eu não lhe havia dado oportuinidade.
- Você esta entregando os pontos Luiza, desistindo sem nem tentar ? Acha mesmo que o Vitor não te ama mais? Ou que a historia de vocês acabou? Claro que não! Mas você tem que correr atrás do prejuízo e não se entregar dessa forma.
- Correr atrás? - repeti desdenhando suas palavras, ela pareceu se irritar.
- Tudo bem Luiza, faz o que você achar melhor. Sabe o que vai acontecer se você se jogar? Com mais dias ou menos dias alguém interessante vai aparecer pro Vitor e mesmo que ele nunca se esqueça vai ser obrigado a seguir sem ti e dar prosseguimento à vida dele. E aí o que vai adiantar essa sua fulga covarde e egoísta de uma realidade que você ainda pode mudar? - ela me indagou aparentando total frieza e indiferença, mas eu tinha a total certeza que ela só utilizava aquele tom para me puxar para a racionalidade.
Fiquei a observar os dois juntos e percebi o quanto se importavam comigo aliás até aparentavam se preocupar mais comigo do que eu mesma. Olhei para as nuvens escuras e densas daquela noite e senti uma leve brisa tocar minha nuca despenquei no chão em prantos abolindo por total a idéia de acabar com a minha vida daquela maneira tão desesperada e egoísta.

O cheiro de chocolate quente perfumou o pequeno apartamento, a Nanda veio até a mim com uma xícara daquele líquido escuro. Eu tremia debaixo das cobertas confortáveis da cama da minha amiga:
- Nos deu um susto essa noite garota. - ela comentou num tom doce de quem estava alíviada.
Percebi o olhar diferente do Gabriel para a minha amiga, ele a observava com ternura e admiração. Quieto e sentado num banco no canto do quarto parecia analisar cada traço dela sem avaliar e sim apreciar, como se estivesse submerso em pensamentos:
- Não acha melhor levá-la ao hospital? Lá eu posso fazer alguns exames... - ele demonstrou-se solicito assim que terminei a xícara de chocolate.
- Não precisa. - respondi quase que instantâneamente. - É médico? - depois foi inevitável perguntar ele apenas balançou a cabeça afirmativamente.
- Tem certeza? - ele quis confirmar e eu reafirmei. - Então acho que vou indo, esta muito tarde. - o Gabriel passou os olhos pelo relógio de pulso.
- Se quiser pode dormir aqui, arrumo a sala para ti. - a Nanda respondeu vasculhando em seu armário algumas roupas de cama.
O Gabriel sorriu de uma forma que eu não havia visto antes, parecia não saber o que fazer diante daquela loirinha diferente:
- Carpe Diem? Você segue a idéia ou só acha a palavra legal?- ele perguntou parecendo curioso.
Ela sorriu e pôs seus cabelos para trás da orelha, mostrou a tatuagem para ele e depois explicou:
- Não tatuaria algo sem sentido na minha pele. "Carpe Diem quam minimum credula postero" - ela citou uma pequena estrofe do poema em grego e ele traduziu:
- Colhe o instante, sem confiar no amanhã.
- Acredito que se todos nos preocupássemos mais com o agora sem pensar no amanhã metade dos dilemas do mundo seriam sanados e talvés assim o futuro fosse bem melhor. - ela explicou e ele pareceu totalmente fascinado com a visão tão diferente da Nanda.
Fechei meus olhos aos poucos e não pude mais prestar atenção em nada que aqueles dois conversavam, a última coisa de que me lembro antes de dormir é que ele aceitara dormir ali.

A semana passou rápido diante de tantos preparativos para a festa mais falada da cidade, apesar de não me sentir nenhum pouco animada com tudo o que se desenrolava a minha volta algo em mim estava diferente, aliás algo em mim havia voltado ao normal e eu consegui me sentir bem depois de tanto tempo sem me reconhecer diante do espelho.
Ajeitei os cabelos e pus um vestido solto feito pela Nanda, me analisei diante do espelho do quarto naquela manhã e gostei do que vi de fronte a mim. As passagens para voltar para o Rio já haviam sido compradas, uma para mim, outra para a Nanda e uma última para o Gabriel e depois do casamento iriámos os três eu tinha tomado algumas decisões que não mudariam.

1º - Conversar com o Vitor.
2º - Conversar com meu pai.
3º - Começar a faculdade de jornalismo.

Minha avó já tinha me confirmado que mesmo se meu pai não me aceitasse de volta ela custeava todas as minhas necessidades e aquele fato tranquilizava demais minhas duas últimas decisões, mas a primeira ainda me assustava, pensar na provável possibilidade do Vitor não me aceitar de volta quase que me desanimava se não fosse o fato de saber que a Nanda e o Gabriel estariam ao meu lado:
- Ai, ai Vitor, o que eu poderei te dizer? - perguntei-me diante do espelho sem imaginar um diálogo convincente o suficiente para fazê-lo cogitar uma possível desculpa.
- Que tal: me desculpe? - o Fábio adentrou o quarto eu mal sabia que ele estaria ali aquela hora da manhã.
- Hã? - fingi não saber do que ele falava.
O Fábio esboçou um sorriso desajeitado e sentou-se na beirada da cama deixando notável que ele queria dizer algo que eu ainda não podia imaginar, fiquei observando-o por um breve instante achando minimamente curioso como a presença dele não mais me incomodava e para dizer a verdade até poderia dizer agradável, mas mantive minha face desconfiada e demonstrei ainda não gostar dele apenas para deixá-lo imaginar que ainda não acreditava em nada que ele dizia em relação a minha amiga, mas eu tinha a absoluta certeza que dessa vez ele estava sendo sincero:
- Fala logo o que você quer.- apressei, abanando as mãos freneticamente.
- Vamos dar um passeio? Vou te levar pra um café da manhã reforçado num restaurante daqui da cidade. - ele tentou ser o mais entusiástico possível, mas mantive-me firme e neguei de primeira.
- Tenho que ir na casa da Nanda terminar o vestido. - justifiquei.
- Te levo na casa dela depois. - ele foi rápido na resposta e eu continuei negando sem muita vontade de conversar com ele. - Por favor, preciso conversar com você. - por fim ele me pediu deixando expor seu lado completamente perdido e triste, algo que eu nunca havia visto antes e inevitavelmente não tive condições de negar.

Entramos num lugar arquitetônicamente aconchegante, algumas poucas pessoas degustavam de refeições atraentes ao olfato. O Fábio puxou a cadeira de uma mesa próximo à janela de vidro que beirava a rua como um verdadeiro cavalheiro. Estranhei a tamanha gentileza:
- Calma, as pernas da cadeira não estão cerradas não. - ele riu diante da minha indecisão entre sentar ou não sentar.
- Eu espero. - respondi ainda em dúvida antes de sentar.
Ele riu diverdindo-se com a minha atitude e logo em seguida acomodou-se na cadeira à minha frente:
- Eu vinha nesse restaurante quando era moleque, eles tem o melhor sanduíche da cidade. Talvés do planeta, nenhum outra cidade ou país que já fui tem um sanduíche igual! - ele pareceu realmente animado enquanto descrevia o tal sanduíche.
Esbocei um sorriso talvés contagiada com a alegria dele ao relembrar da infância que aparentemente lhe dava saudades imensas e fazia seu olhar distanciar quilômetros da sua atual situação:
- Um super sanduíche da casa! - o Fábio respondeu quando a garçonete perguntou qual refeição iriámos querer, eu apenas acompanhei o pedido daquele rapaz que em nada lembrava o antigo e frio Fábio que engravidara minha melhor amiga.
Fiquei a observá-lo sem me preocupar com disfarces queria ter a certeza de que ele não estava tentando me enganar, mas eu já sabia.
- Para que me trouxe até aqui? - perguntei seca fingindo não acreditar nele.
Ele me fitou alternando suas dúvidas entre dizer ou não dizer, pude perceber isso devido a um gesto que ele fazia com os dedos da mão direita tocando cada ponta com o polegar e por final contando o polegar nessa alternação entre: dizer ou não dizer?
- Não sei o que faço, estou perdido Luiza e por mais que eu odeie admitir você é a única pessoa que sabe de toda a verdade, toda mesmo! Acompanhou o meu relacionamento com a sua amiga de perto... Nem o Gabriel sabe da metade que você sabe. Então eu estou aqui pra lhe dizer que... - ele pausou demonstrando certa dificuldade em completar a frase. - preciso de você. - em fim admitiu parecendo lhe sangrar cada palavra proferida.
Fiquei calada de início lembrando de como ele era antes de tudo acontecer e sua vida virar de ponta a cabeça deliberadamente:
- Para começar: não case! - a minha resposta pareceu obvia demais e não me importei com a franqueza.
- Mas Luiza como posso não casar? Esta tudo pronto! Tem noção de quantas vezes adieei esse casamento por causa da sua amiga? E o pior é que dessa vez esta tudo diferente... - ele passou a mão pelos cabelos lisos caídos no rosto e sorriu um sorriso meio triste quando voltou seus olhos diante dos meus.
- Fábio... - segurei em suas mãos perdidas em cima da mesa e respirei fundo antes de começar algo que ainda não sabia como começar.
- Liguei para ela ontem, deixei mais de cinquenta mensagens no celular dela e falei com o pai dela! Acredita nisso? Conversei com o pai dela! Aquele que queria me denunciar! - ele enfatizou a última parte, sem acreditar no que tinha feito.
Eu sorri, mas não pretendia, porém fora mais forte que eu:
- Dá para parar de rir? - ele pediu, sério.
Esforcei-me para fazer o que ele havia me pedido e consegui atingir o nível de seriedade necessário para aquele momento após alguns minutos de risadas causadas pela grande ironia do destino:
- Mas então porque você prosseguiu com esse casamento? Aliás porque você prosseguiu seu relacionamento com a Dani sabendo que era errado? - perguntei, curiosa com a resposta, mas recebi uma avaanche de palavras nenhum pouco medidas, mas necessárias para o entendimento da situação dele:
- Acho que pelo mesmo motivo que você manteve seu relacionamento com o Vitor. - calei minhas ironias e deboches logo em seguida.
Pigarreei antes de iniciar qualquer justificativa simplismente pelo fato dele ter me deixado SEM justificativas plausíveis:
- Que foi? Te deixei sem palavras? - ele perguntou sem disfarçar sua arrogância natural, mas algo nele estava diferente, mas algo nele estava diferente e eu simplesmente não senti raiva de seu comentário:
- Estamos falando de você e não de mim. - tentei me desvencilhar.
- Acho que estamos falando de nós dois e de nossa incapacidade de voltar com as pessoas que amamos. - ele me corrigiu antes da garçonete regressar com dois sanduíches de queijo derretido, acompanhados de dois copões de suco de goiaba. Certamente eu não iria almoçar naquele dia.
- Não sou incapaz de voltar com o Vitor! - minha voz saiu mais firme e alta que o imaginado e alguns poucos olhos me seguiram na minha pequena explosão.
O Fábio apenas suspendeu a sombracelha parecendo me desafiar e logo em seguida mostrou uma mensagem, aliás a última que recebeu da Dani:

-

"Sinceramente? Não preciso mais das suas palavras bonitas. Acho que já me magoou o suficiente para querer que eu lhe perdoe, as palavras vindas de você me dizendo para tirar o filho ainda me corroem por dentro, mas vou seguir adiante. Não me procure, de você só quero o sobrenome para poder dizer ao meu filho que o pai dele não foi um grande hipócrita e que algo de humano, ainda que bem pouco, sobrou."
Dani

-


Ele balançou a cabeça como eu sempre faço quando quero espantar um pensamento ruim, e fitou meus olhos abertos mais que o normal ao ler aquelas palavras. Aquelas frases tinham mesmo saído da minha amiga? A Dani que foi sempre tão calorosa, tão humana, perdoar sempre foi fácil para ela independentemente do que a pessoa pudesse ter feito.
- Já decorei essas palavras...E elas me torturam toda vez que lembro de cada vírgula, cada ponto... Luiza, me fala o que fazer? Sempre foi tão fácil...
- Você se refere ao modo como ela vinha até você?
- Não só a isso, mas como ela se encaixava comigo... Sabe a melhor companhia do meu dia era a Dani!
Contorci meus lábios em dúvida e hesitante, não sabia realmente o que fazer então preferi calar-me e deixar o Fábio continuar.

4 comentários:

  1. OWNN que fofo,poxa ela tem que tomar coragem e ir falar com o vitor *-* ,eles precisam voltaaar ..posta maais

    Chayene *

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  2. posta mais, posta mais. *-* rs

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  3. aaain .
    A História ta cada veez melhoor .
    e o interessante . é qe a cada POST eu me surpreendo maais .
    Umaa história Linda e imprevísiveel *-*
    Adoranduu ><

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  4. lindo lindo *-*


    ainda naum caiu a ficha qe essa historia tah acabandoo

    serio um dia desse eu vii o primeiro post e agora já está tão perto de acabar =/


    mais mais ^^

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