segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Cap XXIX - Briga

- Com licença. - o Vitor sussurrou para meus parentes e saiu daquele lugar em passos rápidos como um verdadeiro soldado que perde uma batalha, me soltei do Gabriel e pouco me importei se minha avó notou que entre eu e o Vitor rolava mais de uma amizade, mas eu corri em direção ao irmão da minha melhor amiga para conversar cruzei o jardim e a chuva fina que tocava minha pele e fazia despencar minha sensação térmica não me era importante.
Me joguei na frente do carro dele quando o Vitor deu a partida e ele freiou em cima de mim, não liguei para as consequências que podiam acontecer se o reflexo dele não fosse tão bom:
- Sai da frente Luiza. - ele disse pondo a cabeça para fora do veículo.
- Não posso. - respondi com as mãos no capô do carro.
- Vou acelerar. - ele ameaçou.
- Me desculpa! Por favor Vitor, não faz isso! - gritei e ele não se moveu para fora do carro vermelho, as lágrimas já me traiam e embora a voz forçada de quem tenta manter a calma para raciocinar algo plausível a ser dito tudo em mim já estava fora das condições normais de um ser-humano e ali apenas o meu sentimento falava.
A chuva aumentou, mas continuei sem me importar e permaneci parada em frente ao carro dele:
- Ta bom Luiza, você conseguiu! - ele gritou e saiu de dentro do carro, descontando na porta do veículo toda a fúria que estava de mim.
- Vitor me desculpa... Eu não sei nem o que explicar! Eu e o Gabriel nos beijamos, mas não me significou muita coisa... - tentei explicar me embolando em palavras tortas e incertas, de fato o Gabriel não se compara ao Vitor. Em nenhuma hipótese eu preferiria o irmão do Fábio e o beijo apenas serviu para me comprovar que paixão é algo tão humano e sujo que torna-se completamente blasfêmico ao ser comparado a amor, pois era isso que eu sentia diante do Vitor e nada, absolutamente nada iria mudar esse fato. Minhas certezas estavam definidas, mas dizer isso numa noite de chuva, com o Vitor irritado e magoado parecia impossível:
- Cala a boca Maria Luiza! - ele gritou engrossando a voz de uma forma que até o momento eu desconhecia, emudeci logo após e permiti involuntariamente que ele cuspisse as palavras que quisesse, correndo o claro risco de me machucar. - Em pensar que pus minha melhor máscara essa noite fingindo não conhecer o Fábio, sendo o mais agradável possível com o Gabriel tudo para satisfazer você e depois de tudo que eu fiz, e olha que eu fiz muita coisa, simplesmente flagro um beijo seu com o Gabriel. - ele começou a dizer tudo num tom bastante moderado, sem alterações na voz, enquanto caminhava em minha direção. - Parabéns garotinha, conseguiu me fazer de idiota mesmo! Espero que tenha sido bom para você tudo que houve entre nós, te garanto a minha sinceridade em tudo que proferi e nunca pensei duas vezes em optar por sua felicidade do que pela minha. Sai do Rio para vir te ver... - antes de completar qualquer coisa ele riu um riso frio e contraditório e depois prosseguiu . - Para mim é um ponto final e agora sai da frente que eu vou para casa. - ele segurou meu braço e me empurrou para o lado esquerdo, voltou-se para dentro do carro e deu partida.

Sentei no meio-fio da calçada de mármore, pus as mãos na cabeça completamente perdida em pesamentos começava a sentir nojo de mim mesma e cuspi enumeradas vezes na tentativa de tirar o gosto imaginário do beijo do Gabriel, um beijo tão vazio e isignificante que eu só fui descobrir a confusão de sentimentos quando percebi que quem eu amava de verdade estava indo embora e provavelmente nunca fosse voltar para mim, escutei gritos da minha vó vindo em minha direção, mas antes que ela pudesse me alcançar fiz a última tentativa desesperada de resgatar o meu Vitor, corri todos os quilômetros necessários até o hotel em que ele estava hospedado pedindo mentalmente a Deus o tempo necessário para que eu pudesse explicar, cruzei ruas totalmente desconhecidas e a chuva forte não me era um obstáculo eu só queria corrigir meu maior erro, viver sem o meu Vitor seria torturante, saber que outra menina podia tomar meu lugar no coração dele e o pior de tudo imaginar que ele pudesse lembrar de mim como uma decepção fazia meu coração sangrar e meu sangue fervilhar.
Eu estava com raiva de mim mesma, com raiva do Gabriel e raiva de tudo que pensei sentir por ele. Que engano, que falha...

O meu celular não parava de tocar, hora era minha vó, hora meu tio, hora o Gabriel, aliás este último atendi e cuspi todos as palavras mais dolorosas e ruins que eu poderia dizer, porém ele não se importou e antes que eu desligasse escutei um pedido de desculpas que preferi não responder.

Meus pés e meus ossos pareciam não aguentar mais e a minha respiração tornou-se pesada afinal eu não estava acostumada com o ritmo acelerado dos meus movimentos, mas ignorei qualquer sinal de limite emanado pelos meus cinco sentidos e continuei até chegar à pracinha do centro bem próximo do hotel, eu já estava encharcada, meu belo vestido branco sujo de lama e minha sandália de salto na minha mão.
O gerente do hotel me impediu de adentrar o lugar naqueles trajes, em pensar que na noite anterior foi o mais agradável possível agora mandava os seguranças me porem para fora e ameaçava chamar a polícia:
- Vitor! - gritei por seu nome quando o vi na recepção provavelmente fechando a conta, ele olhou para trás e ascenou para que o gerente permitisse os seguranças de me soltarem.

O meu Vitor parecia um príncipe enquanto caminhava em minha direção, os outros hóspedes não paravam de encarar meu patético ato desesperado teve um senhor que fotografou numa câmera profissional enquanto a maioria devia me criticar em voz baixa:
- O que você esta fazendo aqui? - ele perguntou.
- Não conseguirei ficar sem você. - comecei e ele segurou minha mão, transmitindo seu calor para minha pele gelada:
- Vai se resfriar sua louca. - ele disse, pondo de lado a mala de mão que segurava e sem se importar em molhar seu belo traje social combinando perfeitamente com um sobretudo me abraçou e senti seu coração disparar. - Me responde uma coisa e por favor fale a verdade, você já sentiu alguma coisa pelo Gabriel? - ele me perguntou e eu gelei, não conseguiria mentir para ele e ascenei a cabeça fazendo que "sim" ele não disse mais nada e uma voz feminina me impossibilitou de me jogar aos pés dele e implorar para que ficasse:
- Querida, fiquei preocupada. - era minha avó e meu tio acompanhados do senhor Davi.
Mesmo sem entender nada a mãe do meu pai me abraçou forte tentando me transmitir força enquanto eu assistia o meu amor, meu único e verdadeiro amor ir embora da cidade, do meu mundo, da minha vida sem olhar para trás.

14 comentários:

  1. EU CHOREI ,CHOREI MUITO :'(
    ACHO QUE NUNCA ME ENVOLVI TANTO COM
    UMA HISTORIA ,VC ESCREVE PERFEITAMENTE BEM
    E APESAR DE FIKAR CHATEADA DE VE-LA SOFRER
    QUERIA PEDIR PRA VC CONTINUAR ASSIM QUE SUA HISTORIA ESTA DEMAIS :D !

    ass:THAMARA

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  2. tambem chorei!

    Ass:Renatinha

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  3. CHOREEI MUIIITO TAMBEM, :(

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  4. Cara não faz isso.... to chorando !!
    faz ele perdoar ela ´por favor!!!

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  5. tbm chorei ='( ele tem que perdoar ela

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  6. Buáaa :'(

    Nuum ACREDITOO .
    Nãao Vaai embora não Vitoor !

    yn: Suelen

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  7. Ah.. Não deeixa ele iir embooora, explica praa elee qe foi uma paixão passageeira!
    Ela tem que ficaar com o VITOOOR!

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  8. chorei chorei chorei
    puts! Qe ...

    argh!sem palavras pra isso.

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  9. Nossa! que triste!Ela está perdendo o amor da vida dela!
    Ela tinha que se explicar melhor!

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  10. Conheci este blog pela sua irmã. Mas vc escreve hein menina. Parabéns.

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  11. Nossa parabéns! Sua história é ótima! Uma amiga sua me indicou seu blog e estou ha 5h lendo... Muito lindo. Espero que vc aproveite seu dom e procure uma editora, pq com ctz qndo lerem terão interesse em publicar.
    Espero pelos proximos capitulos...
    *--*

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  12. Nossa muito booa essa história, estamos aguardando anciosas o proxímo capitulo.
    beijooOO e meus parabéns é uma ótima escritora!

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  13. está cada vez mais emocionante. Torço pela Maria Luiza e pelo Vitor. Espero os próximos capítulos.

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