- Luizaaa! - ouvi um grito feminino chamar meu nome, uma voz familiar, mas ao mesmo tempo irreconhecível devido ao desespero e medo incomparável. Abri meus olhos de repente e me vi no meu quarto, na minha cama, às sete horas da manhã de um domingo. Havia sido um pesadelo, mais um pesadelo que se repetia pela quinta vez em um mês. Eu não me lembrava de nada, apenas daquela voz gritando o meu nome como se eu fosse sua única esperança, sua única salvação.
Olhei para meu notebook no canto esquerdo do meu quarto e uma nova mensagem fazia aquele aparelhinho digital fazer um barulho de "bip-bip-bip".
Passei a mão pelo rosto e pus para trás algumas mechas de cabelo antes de me sentar na cadeira e ler o conteúdo do que me havia sido enviado, tenho que admitir que aquela ponta de esperança de ser uma mensagem do meu Vitor atiçou meus sentidos, mas depois de tantos meses essa esperança só servia para me incomodar e me lembrar de como eu ainda gostava dele, mesmo depois de quase oito meses sem vê-lo, sem tocar, sem falar, sem completamente nada.
-
De: Fabi
Para: Maria Luiza
Amiga!
Não esquece o trabalho de quinta! Vamos nos encontrar hoje às dez para fazer a entrevista!
Beijos e te amo doida!
-
Passei a mão pelo rosto ao terminar de ler o e-mail “- Droga, esqueci dessa porcaria." - o trabalho da faculdade anunciado pela professora semanas atrás ainda estava inacabado, eu precisava fazer a minha entrevista com alguma religiosa que eu ainda não fazia idéia de quem pudesse ser.
Depois que passei na faculdade e o meu texto foi um dos melhores do concurso de jovens jornalistas meu tempo se tornou corrido demais e quase não me deixava parar em casa, de manhã eu fazia a faculdade à tarde ia para a redação do jornal trabalhar com meu instrutor um grande e conhecido jornalista chamado Marcelo Rezende, famoso por suas colunas e reportagens policias. Como meus pais costumavam dizer: - Correria demais para uma menina de agora 18 anos - mas eu admito que AMAVA tudo ao meu redor, meus novos amigos de faculdade, meu trabalho, o relacionamento da Dani e do Fabinho, agora os dois brigavam quase todos os dias e vinham até à mim reclamar um do outro ele queria que ela fosse morar com ele e ela queria continuar na casa dos pais.
A Nanda e o Gabriel começaram a namorar e tenho que dizer que é um dos casais mais divertidos que já vi na vida quando eles vem para o Rio saímos os cinco eu e os dois casais e de vez em quando algum amigo meu gay.
O meu mundo tinha ficado mais maduro, mais divertido, mas sem o meu Vitor, sem a pessoa que fez que tudo isso acontecesse e eu nem pude agradecer, não tive a oportunidade de me despedir e dar aquele beijo que mudaria tudo, mudaria o nosso rumo. Depois dele tive alguns encontros não felizes, conheci rapazes absurdamente lindos e não vi graça alguma, no início a dor era grande a saudade parecia que iria me sufocar e nas primeiras noites dos três primeiros meses dormir era algo impossível, aos poucos fui me adaptando e traçando maneiras de burlar esses sentimentos, passei a me acostumar com essa falta dele, não mais procurava, desisti de ligar e de mandar e-mails, de pedir noticias dele pela Dani desde que conversamos inusitadamente pelo telefone numa noite de maio quando eu e ela iríamos sair para um aniversario de um amigo do Fábio:
- Amiga atende o telefone! - ela gritou do banheiro naquela noite quando ouviu o telefone tocar.
- Alô!?
- Lu? Tudo bem? É o Vitor. - meu coração disparou e senti as veias por sobre minha pele pulsarem ao ouvir aquela voz que eu já reconhecia mesmo antes dele se identificar, fiquei quieta e minhas palavras sumiram: - Luiza? Você esta aí? - ele perguntou diante do meu silêncio e eu só pude formular alguma fala quando me sentei na beira da cama da minha amiga.
- É... Humn... Tô sim, é que a Dani esta no banho e seus pais saíram. - respondi sentindo cada partícula do meu corpo tremer.
- Ah sim, mas e então como você esta? - ele perguntou parecendo ter o controle perfeito da situação totalmente inusitada.
- Bem e você? - perguntei não parecendo muito inteligente, admito, mas formular alguma pergunta bem elaborada parecia quase que impossível.
- Também. - ele respondeu meio que sorrindo como se achasse graça de algo que eu não pude imaginar.
- Do que você esta rindo? - perguntei.
- De nós Lu, de nós minha menina. - ele me respondeu e mais uma vez fiquei sem o que dizer, sem palavras possíveis para adicionar aquele diálogo desagradável, mas que eu não queria encerrar.
- Ta... Mas... E ai? Como é Nova Iorque? - pigarreei e perguntei depois de algum silêncio.
- Normal, não tenho achado muita graça. Prefiro lugares mais calmos e diferentes, tô pensando em ir para a Inglaterra passar um tempo lá, depois Egito, Índia...
- É, legal... - na verdade não era nada legal, saber que ele poderia nunca mais voltar pra mim, nunca mais voltar para o meu país, o meu estado, a minha rua não era uma idéia boa e agradável e conviver com isso me assustava.
- Pois é. - ele completou e depois se calou, ficamos então num silêncio que só não se totalizava devido ao som de nossa respiração, e eu preferia esse estado à desligar o telefone e não mais falar com ele.
- Vitor... - eu disse enfim, depois de quase dez minutos quietos.
- Pode falar. - ele disse.
- Você ainda me ama? - perguntei e ele sorriu.
- Ora, que pergunta boba. Claro que te amo. - senti meu coração e minha alma se acalmar e a segunda pergunta mais obvia e objetiva estava prestes a ser feita, afinal se ele ainda me amava porque não voltava para ficarmos juntos? Mas a pergunta dele interrompeu a minha.
- E você Luiza? Ainda me ama, como antes? Como sempre foi? - eu fiquei quieta e não consegui responder é claro que eu o amava! É claro que eu o queria comigo para sempre, mas não entendo porque não disse, não entendo porque fiquei calada!
- Vitor vamos logo! - ouvi uma voz feminina ao fundo chamar por ele e meu coração voltou a apertar.
- Tenho que ir agora menina. Até um dia.- ele se despediu.
- Tchau... - desliguei e senti meu rosto umedecer com as lágrimas que desceram de meus olhos, lágrimas de raiva de mim, raiva dos meus sentimentos e da minha incapacidade de correr atrás de quem eu amo.
Desde então não mais tivemos contato algum, segui minha vida com a conquista de alguns objetivos e o meu tempo vazio foi preenchido com matérias do jornal, trabalhos da faculdade, festas e pesadelos. Pesadelos esses caracterizados por alguém gritando o meu nome, alguém que eu conhecia, mas não reconhecia.
- E se esses pesadelos forem algo que pode vir a acontecer? Tipo algum presságio? - a Fabi me disse enquanto dividia sua atenção entre o volante do carro e nossa conversa sobre meu sonho.
- Eu não levo muito jeito para médium, amiga. - brinquei, enquanto procurava uma rádio interessante no aparelho de seu carro.
- Ah amiga não deve ser nada de muito importante, fala sério! Vai ficar encucada com isso? Com tanta coisa mais importante acontecendo?
- É, pode ser. - eu disse me ajeitando no banco do carona quando ela parou no sinal vermelho.
- E nós vamos para onde? Já decidiu quem iremos entrevistar? - ela me perguntou sorrindo aquele sorriso singelo que deixava seu piercing de dente à mostra.
- Aham. - eu ri antes de lhe entregar um folheto com a foto de uma mulher de cabelos pretos, maquiagem exageradamente forte e olhos verdes:
- Madame Zuleika? Ta brincando né? - ela riu-se e olhou para mim com a face rosada.
- Não temos mais tempo de conseguir outra pessoa. - respondi enquanto ela estacionava o carro numa vaga perto da praia.
- Eu devo ser mais médium que essa mulher. - minha amiga comentou enquanto atravessávamos a rua antes de entrar numa loja de produtos místicos onde uma menina de tatuagem no pescoço e olhos escuros lia uma revistinha em quadrinhos.
- Oi. - eu disse e os olhos escuros daquela garota vieram diante os meus.
- Sim?
- A madame Zuleika? Viemos falar com ela?
- E o que vai ser? Qual tipo de trabalho?
Enruguei as sombracelhas estranhando o fato daquela menina saber o motivo que fez eu e minha amiga estar naquele lugar:
- Um de faculdade. - a Fabi respondeu.
A menina pareceu estranhar:
- Que? Eu tô perguntando se é trabalho de amarração, afasta rival, trazer o amor de volta, negócios... - ela listou uma série de trabalhos e eu ri alto:
- É que precisamos fazer uma entrevista com alguma religiosa. Fazemos jornalismo. - a Fabi respondeu enquanto meu humor voltava ao normal.
- Ah sim, é setenta reais a consulta e mais dez o cafezinho. - a menina respondeu.
- Que? Que cafezinho? Isso é um absurdo, não vou dar oitenta reais por uma entrevista e um cafezinho que eu nem bebi? - antes que minha amiga pudesse terminar seu protesto pus metade do dinheiro no balcão e a outra metade convenci a Fabi a pôr alegando que não tínhamos tempo para protesto e discursões.
Madame Zuleika era tão assustadora e esquisita quanto na foto do anúncio, ela nos esperava numa sala sem claridade alguma atrás de uma mesa redonda decorada com um pano roxo e vermelho e em volta dela prateleiras nas paredes cheias de livros das mais variadas magias, devo admitir que me senti levemente inclinada a perguntar sobre o Vitor mesmo não acreditando em nada daquilo:
- Bem vindas minhas jovens. - aquela senhora nos disse.
- Claro que temos que ser bem-vindas, pagamos oitenta reais pra estar aqui. - a Fabi cochichou e eu contive minha gargalhada daquela situação através de um sorriso singelo.
- Madame Zuleika, acho que a menina do balcão já disse para que viemos até aqui. Temos algumas perguntas para lhe fazer e gostaríamos que a senhora nos respondesse... - comecei e a minha amiga me acompanhou com as perguntas.
- Por ultimo Madame Zuleika, essa história de trazer amor de volta é real? Traz mesmo? - enfim perguntei.
Ela sorriu e respondeu:
- Só é amor se é recíproco, ah e mais uma coisa cuidado com esse sonho. Sonhos que muito se repetem são presságios. - ela me avisou e eu senti um calafrio me correr pela espinha e arrepiar meus pêlos do braço. Era a segunda vez que escutava a palavra pressagio dita no mesmo dia.
Balancei a cabeça num sinal de "sim" e peguei minha bolsa deixada num canto da sala escura pouco antes de me retirar daquele local.
- Madame Zuleika! Amiga você já foi mais racional, a faculdade não ta te fazendo bem. - a Dani riu-se ao repetir pela terceira vez o nome da senhora ao qual fui entrevistar durante o dia.
- Não estou vendo graça nenhuma Daniele! - resmunguei pouco antes de levar à boca um pedaço de sorvete grudado na colher.
- Vocês gastaram oitenta reais para uma entrevista que eu poderia ter dado Luiza! - o Fábio completou juntando-se a minha melhor amiga para rirem de mim.
- Desde quando você é religioso?
Fiz uma careta e levantei do balcão da cozinha deste último e me distrai por um segundo apreciando a beleza dos dois juntos, eles realmente eram perfeitos um para o outro, fiquei a observar o barrigão da minha amiga e imaginei como a criança seria bonita. O nome já havia sido escolhido "Luiz Felipe", meu padrinho ficou radiante quando soube que o nome de seu neto seria o mesmo que o seu, mas a Dani me avisou que na verdade era uma homenagem à mim pondo a versão masculina do meu nome no filho que ela esperava, uma criança que nasceria dotada de todos os presentes genéticos possíveis.
Quase não acreditava que eu estava vendo-os juntos enfim, aquilo me fazia tão bem que eu não conseguia explicar, depois de tanto tentar ele conseguiu convencê-la de seus sentimentos com um simples "Eu te amo".
- Heim amiga, vamos jantar amanhã a noite? Conheço um restaurante perfeito, só nós duas! Como nos velhos tempos! - a Dani me convidou parecendo radiante com a idéia.
- Ta bom amiga. - eu aceitei, pouco antes de ignorar o calafrio que me subiu pela espinha e congelou meu crânio por um estalar de segundos.
O relógio despertou às seis da manhã naquela segunda-feira chuvosa e uma sensação estranha me instigou a continuar deitada, mas minhas responsabilidades me fizeram ir contra meus instintos e às seis e quarenta e cinco eu tomava café da manhã com meus pais na cozinha:
- Bom dia querida! - minha mãe me abraçou enquanto servia o café e meu pai continuou com os olhos fixos no caderno de esportes:
- Bom dia mãe. - beijei seu rosto e me sentei na bancada, apoiei minha cabeça com as mãos e respirei fundo: - "Luizaaa!" - aquele gritou feminino veio à minha mente quando fechei meus olhos.
- Luiza escutou seu pai falar? - minha mãe perguntou e eu balancei a cabeça negativamente.
- Quer carona até o centro? Vou ter que resolver alguns problemas por lá e podemos te deixar perto da faculdade. - ele avisou olhando para mim como quem diz - “Você esta surda ou esta louca?".
- Beleza, aceito sim. - respondi pondo a mochila nas costas. - Então podemos ir logo, é que depois vou ter que passar na redação do jornal.
Meu pai sorriu e brincou:
- Ai ai essa jornalista!
Sorri de volta e desci as escadas, não estava com pressa, mas queria ocupar minha mente e esquecer esse sonho, essa voz tão familiar, essa sensação de que aquele dia não seria um dia comum como qualquer outro. Algo em mim insistia para que eu voltasse e ficasse na cama, deixasse todas as responsabilidades para o dia seguinte.
- Meu Deus Luiza, ta começando a me assustar com isso! – a Fabi me disse durante nosso almoço na faculdade, um pedaço de sanduíche que dividíamos acompanhado de um suco natural de groselha com sabor de limão e cor de água suja.
- Amiga essa voz não sai da minha cabeça, eu tenho certeza que conheço essa voz, mas a forma como ela me vem à mente me impossibilita de identificar. Quem quer que seja nunca ouvi tão aflita, tão nervosa... – continuei lembrando do som, do ruído, forçando o máximo a minha mente a descobrir quem é.
- Bom dia meninas. – o som grave de Bryan interrompeu nossa conversa, com seu 1,80m, olhos tão negros e belos, cabelos pretos e arrepiados e lábios grossos e convidativos roubou a atenção da minha amiga. Ele tinha vinte e dois anos, filho de americanos naturalizados, fazia engenharia e no seu tempo livre jogava tênis. Era um dos solteiros mais disputados daquela instituição de ensino superior e ele sabia perfeitamente disso.
- Oi. – respondi, seca.
- Bryan, senta aí! Tudo bom? – a patética ceninha da minha amiga denunciou toda a animação dela em relação aquele menino, que eu particularmente não achava graça.
- E então meninas que tal um happy-hour hoje à noite depois da última aula? – ele nos convidou com aquele sorriso que impossibilitava qualquer uma de dizer não (qualquer uma, menos eu).
- Não posso, tenho um jantar com uma amiga. – respondi e mais uma vez o calafrio estranho me subiu pela espinha.
- Por mim ta ótimo! – a Fabi respondeu e eu levantei irritada.
- Amiga tenho que ir à redação do jornal. Mais tarde nos falamos! – me despedi sendo parcialmente ignorada, eu sei que a Fabi não fazia de propósito, ela fazia parte de uma maioria da faculdade que era apaixonada por aquele rapaz. Por esse motivo sempre relevava às vezes que eu me via numa situação semelhante.
A redação do jornal ficava no centro da cidade, num prédio de vinte e dois andares, o lugar cheirava a notícia, paparazzis, repórteres investigativos, humoristas de charges, colunistas... Tudo que líamos no jornal eu via acontecer bem ali, bem na minha frente. Quando pisava naquele lugar sentia que tudo fazia sentido, entendia o motivo que me fazia ter tanta paciência com as aulas chatas da faculdade e sentia que meu destino estava ali. Para cada computador um jornalista genial, um ser-humano fazendo acontecer, um alguém destinado a espalhar o que alguns queriam calar.
- Desculpe a demora. – pedi ao meu instrutor sentando-me ao lado dele.
- Não tem problema Luiza, hoje o dia esta tranqüilo. Sem acontecimentos apocalípticos. – ele brincou terminando de escrever sua coluna para o dia seguinte.
Esbocei um leve sorriso e voltei meus olhos, fixos, a tela do computador que ganhava palavras através da digitação rápida e prática do meu instrutor.
“... e quando você não sabe o que fazer e aquela vontade de fugir começa a te instigar, essa – meus caros leitores – é a hora de parar, é a hora de repensar suas atitudes e admitir suas franquezas. Porque é muito fácil para um ser-humano errôneo e cheio de defeitos negar seus sentimentos, negar suas origens. O difícil é aceitar que somos todos iguais, que não existe ninguém melhor do que ninguém e que você, eu, seus pais e seus filhos foram originados através de um orgasmo que deu certo. Então ponha os pés no chão, siga adiante e não minta para si, não burle seus pensamentos e não altere suas verdades. Você é o que você sente, o que transmite e o que permite...”
A melhor parte de trabalhar com um colunista absurdamente inteligente é que para quase tudo há uma experiência, há um conselho guardado. Eu fiquei lendo o que ele escrevia e me perdi nas horas desejando que o tempo parasse bem ali, bem naquele instante enquanto a imagem do meu Vitor vinha a minha mente.
Sempre fui péssima em falar sobre meus sentimentos, péssima em admitir minhas fraquezas. Talvez fosse por isso que eu estava sem o meu Vitor e aquela sensação de vazio parecia aumentar a cada dia, a cada manhã e a cada e-mail que chegava e me proporcionava aquela patética esperança de ser ele.
- Acho que não fizemos muita coisa hoje. – ele comentou quando o relógio marcava oito e meia e o andar em que estávamos só nós restávamos.
- Vou jantar com a Dani hoje, ela já deve estar me esperando. – comentei quando ele tocou o botão para o elevador descer.
- Dani é a irmã do Vitor né? – ele quis confirmar, o Marcelo era uma das pessoas que sabia quase tudo a respeito do Vitor. Além da minha melhor amiga era a única pessoa que sabia que eu havia perdido a virgindade com ele.
- É. – respondi.
- E nunca mais você falou com o Vitor? A última vez foi aquele telefonema?
- Foi. – respondi me lembrando do acontecimento com certo pesar.
Ele sorriu e emendou num humor jornalístico:
- Acho melhor você comprar o jornal amanhã, recortar minha coluna e colar no seu armário até você aprender!
Eu ri, na verdade já havia pensado em fazer aquilo.
A Dani me aguardava no restaurante com algumas bolsas de lojas de bebês ao lado da cadeira em que estava sentada, percorria seus olhos pelo menu esperando minha chegada. Sentei a sua frente, pus minha bolsa ao lado e estiquei meus braços tirando aquele papel plastificado de seu rosto:
- Demorei? – perguntei.
- Mais ou menos, mas tudo bem. Passei meu tempo discutindo com o Fábio pelo celular. – ela respondeu e eu sorri.
- Então o tempo passou rapidinho. – brinquei. – Essas bolsas aí são presentes para o Luiz Felipe?
- Roupinhas, amiga! Comprei uns conjuntinhos pra ele. Ah em falar nisso eu e o Fábio concordamos em pedir para você ser a madrinha do Luiz Felipe, não tem como ser outra pessoa, porque você foi a que mais nos apoiou. Devo muitas coisas a você amiga, muitas mesmo. E o Fábio também.
- Claro amiga! Meu primeiro afilhado! – respondi sem conter minha animação e abracei a minha melhor amiga sentindo o bebê chutar.
Jantamos em silêncio, trocando olhares a toda pessoa que adentrava aquele lugar e rimos de piadas internas que só nós sabíamos, fazia tempo que não desfrutávamos daquele momento só nosso, nada parecia ter muita importância e até o Vitor se tornou irrelevante por um pequeno espaço de tempo:
- Ai como eu precisava disso! – a Dani admitiu enquanto andávamos pelas ruas em direção ao nosso condomínio.
- É sim amiga. – respondi, dividindo minha atenção entre ela e um homem que nos seguia desde a ultima esquina em que viramos.
- Bem que o Fábio disse que tínhamos que sair só nos duas! Ele estava certo! To me sentindo tão mais leve. – a Dani continuou sem perceber aquele homem estranho que fazia meus sentidos dispararem.
Segurei no braço da minha amiga e me aproximei de seu ouvido, sussurrando o mínimo possível:
- Eu acho que esse cara esta nos seguindo.
Ela não disfarçou e olhou para trás dando aquele completo estranho a “deixa” para nos render, ele sacou um objeto metalizado, preto, da cintura e apontou para nós. Não havia ninguém ao redor para nos proteger, ninguém para presenciar aquela cena. A rua escura, pequena e assustadora não nos permitia correr e os olhos vermelhos e a condição alterada daquele ser-humano denunciava o uso de algum tipo de droga:
- Quero a bolsa e o celular! – ele disse piscando freneticamente os olhos como se tivesse algum tipo de problema.
- Meu Deus, meu Deus... – a Dani congelou e manteve-se imóvel.
- Amiga calma. – segurei sua mão e tirei a bolsa de seu braço.
- Anda logo! – ele gritou, nervoso, apontando para nós aquele revólver.
- Calma, ela ta grávida! Eu vou te dar a bolsa... – estendi a mão e lhe entreguei ambas as bolsas (minha e dela) e ele arrancou dos meus dedos.
Ele não havia ido embora, continuava na nossa frente apontando aquele objeto e não parecia conseguir pensar direito e tudo que vinha a mente ele deixava escapar pela boca deixando eu e minha amiga mais aflitas:
- Vocês vão me denunciar, vão me matar, vão me... É melhor matar vocês, é melhor matar vocês, mas eu nunca matei ninguém, não sou um assassino, preciso de mais drogas, preciso... – minha amiga parecia não mais se agüentar de pé e eu apoiei o corpo dela com meus ombros. Ela chorava compulsivamente e eu tentava manter o controle, mas por dentro queria desmoronar.
- Calma, não vamos fazer nada. Vá embora que não faremos nada, eu juro! – tentei argumentar.
- Cala a boca! – ele gritou e eu me assustei engolindo todas as palavras.
- Amiga ele vai nos matar. – a Dani me disse e eu segurei em suas mãos que estavam geladas e tensas.
- Calma Dani.
- Calem a boca! Fiquem quietas suas vagabundas! – aquele homem pôs a mão na cabeça e em seguida virou seus olhos para nós como se estivesse tomado uma decisão, senti mais uma vez o calafrio me subir a espinha e tudo fez sentido. Aquele homem havia decidido nos matar.
- Luizaaa! – ouvi aquela voz novamente, mas dessa vez não era sonho. Era a minha amiga Dani, ouvi um disparo, minha cabeça bateu no chão e tudo escureceu.


final tenso.... Quero maaais.
ResponderExcluirque louuuuuuco !
ResponderExcluirCadê o resto? quero mais? o que acontece agora?
ResponderExcluirñããão... ta brincando que vai acabar assim... por favor me digam que tem mais.... tem não tem?
ResponderExcluiradoreii..quero o final *-*
ResponderExcluireu fiquei viciada nele.li em apenas 3 dias.